PF já tem plano para retirada de arrozeiros da Raposa

Segundo superintendente da Polícia Federal, desinstrusão da reserva será feira de acordo com decisão do STF

Agência Brasil,

18 de março de 2009 | 10h07

O superintendente da Polícia Federal (PF) em Roraima, José Maria Fonseca, informou que a corporação já tem um plano operacional definido para iniciar imediatamente a retirada de produtores de arroz da reserva indígena Raposa Serra do Sol caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida nesta quarta-feira, 18, pela manutenção da demarcação contínua da reserva de cerca de 1,7 milhão de hectares. "A desintrusão será feita de acordo com a decisão do tribunal", afirmou.

 

Veja Também:

video Assista aos votos dos ministros

mais imagens Galeria de fotos da sessão no STF

blog Blog: acompanhe ao vivo o julgamento

forumVocê é contra ou a favor da demarcação contínua?

especialA disputa pela Raposa Serra do Sol 

especialEntenda a sessão do STF e veja como votaram os ministros em outras questões 

documentoLeia a íntegra do voto do relator, a favor da demarcação contínua 

 

Segundo Fonseca, o deslocamento de pessoal e a movimentação de recursos e apoio logístico para a retomada da operação, conhecida como Upatakon 3, começará imediatamente após o anúncio de uma possível decisão contra a permanência dos rizicultores. No entanto, a retirada efetiva poderá levar até 45 dias, de acordo com as previsões do superintendente.

 

"Não há como fazer isso da noite para o dia. Para a execução da desintrusão nós temos um planejamento operacional, esse planejamento tem etapas e nós vamos cumpri-las. Além das pessoas, haverá retirada de bens, que precisam ser resguardados", detalhou.

 

Além do efetivo policial, que deverá chegar a 500 homens somente da PF, agentes da Força Nacional de Segurança, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também vão participar da retirada.

 

Fonseca garantiu que a decisão do STF será cumprida mesmo que a retirada tenha que ser feita antes da colheita do arroz já plantado, prevista para maio. Dos seis grandes produtores que ocupam a terra indígena, apenas dois plantaram arroz recentemente, um deles o polêmico líder Paulo César Quartiero.

 

"O que estava acertado é que não haveria mais plantio, eles colheriam o remanescente em janeiro e deixariam a terra. Eu não posso manter esse efetivo (policial) aqui até maio simplesmente porque ele tem uma colheita a fazer. A minha ação vai ser de acordo com a decisão do STF. Se houver algum questionamento quanto a isso, terão que recorrer à Justiça", disse.

 

Apesar das divergências claras entre indígenas e arrozeiros, o superintendente espera um "desfecho pacífico" para o impasse. Fonseca acredita que as lideranças indígenas deverão respeitar a operação oficial de desintrusão, sem partir para conflito direto com os rizicultores.

 

Sessenta homens da PF e cerca de 80 da Força Nacional de Segurança estarão nesta quarta dentro da terra indígena para garantir a segurança durante o julgamento do STF. De acordo com o superintendente, outros 150 policiais federais e homens do Exército e da Polícia Militar estarão de sobreaviso e posicionados em pontos estratégicos para agir em caso de conflito na área.

Tudo o que sabemos sobre:
Raposa Serra do SolSTF

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.