PF já tem dois suspeitos de assassinar Wilton Tapajós

Segundo a Polícia, captura dos criminosos está próxima; investigação aponta que os motivos da execução seriam vingança ou queima de arquivo

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2012 | 19h56

A Polícia Federal fechou o cerco sobre dois suspeitos do assassinato do agente Wilton Tapajós Macedo, executado com dois tiros na cabeça, à queima roupa, quando visitava o túmulo dos pais, terça-feira, no cemitério de Brasília. A justiça já expediu os mandados de prisão, mas as identidades não foram divulgadas para não alertar os alvos. Fontes policiais informaram que a captura dos criminosos está muito próxima. As causas do assassinato ainda não estão claras.

A principal linha de investigação aponta para execução por motivo de vingança ou queima de arquivo. Os autores demonstraram frieza e profissionalismo e sabiam da rotina da vítima. Policial de ponta, Tapajós participou ativamente da Operação Monte Carlo, que desmantelou a organização criminosa comandada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, mas também integrou ações de alto risco no combate a quadrilhas de narcotraficantes e pedófilos, por exemplo. Também não estão descartadas motivações pessoais ou acerto de contas.

Em clima de indignação, o corpo do agente foi sepultado nesta quinta-feira, 19, no mesmo local onde tombou, junto ao túmulo dos pais. Mais de 500 pessoas acompanharam o cortejo, entre as quais centenas de policiais trajando uniforme, seguidos por viaturas com sirenes ligadas. O agente sentia-se ameaçado e recentemente registrou queixa na Corregedoria da PF, segundo informou a superintendente regional do órgão, delegada Silvana Borges.

O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, que também é delegado federal, confirmou que a polícia já está na pista de dois suspeitos do homicídio. Ele disse que equipes especiais das Polícias Federal e Civil formaram uma força tarefa, com a participação de peritos, para esclarecer as circunstâncias do crime e prender os assassinos. As equipes vasculharam fazendas e endereços no entorno do DF e demarcaram os locais mais prováveis onde eles podem estar escondidos.

O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF, Jones Borges Leal, denunciou que os policiais federais estão submetidos hoje à total falta de segurança no trabalho. Ele teme que outros agentes sofram atentados no exercício da profissão. Mas disse não ter elementos que confirmem se o assassinato de Tapajós está ou não vinculado à Operação Monte Carlo. "Quando um policial sofre ameaça, ele é apenas transferido, como se isso resolvesse a questão da insegurança", afirmou.

Mais um policial morto. Em um período de 48 horas mais um policial federal foi encontrado morto em Brasília. O escrivão da Polícia Federal Fernando Lima, de 34 anos, foi encontrado morto com um tiro na cabeça no início da noite desta quinta-feira em sua residência, no bairro Jardim Botânico, bairro próximo ao Lago Sul. A Polícia Civil trabalha inicialmente com a hipótese de suicídio, segundo informou o delgado Érito Pereira, da 30ª DP, que abriu inquérito para apurar todas as circunstâncias da morte.

Lima, segundo os primeiros depoimentos de familiares, sofria de depressão aguda e teve seu estado agravado após o assassinato do agente Wilton Tapajós Macedo, de quem era amigo. Ele deu plantão normal nesta quinta e no início da noite foi encontrado morto dentro de casa. A polícia foi acionada por vizinhos que ouviram o estampido. É a segunda morte de policiais federais em Brasília nos últimos dois dias, em circunstâncias misteriosas.

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