PF já ouviu uruguaio que acusou governo de matar Jango

Se forem consideradas consistentes, PF poderá investigar caso; oficialmente, ex-presidente morreu de enfarte

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2008 | 18h58

A Polícia Federal tomou na tarde de terça-feira o depoimento do uruguaio Mario Neira Barreiro, que está preso em Charqueadas (RS) e vem dizendo há oito anos que o ex-presidente João Goulart foi morto por envenenamento, a mando do regime militar brasileiro, em 1976. As informações colhidas pelos policiais foram transcritas e enviadas à sede do órgão, em Brasília. Se forem consideradas consistentes, a Polícia Federal poderá investigar o caso. Oficialmente, João Goulart morreu de enfarte no dia 6 de dezembro de 1976 em Mercedes, na Argentina. Barreiro, que está preso no Brasil por tráfico de armas, roubo de carro-forte e falsidade ideológica, conta que como funcionário do serviço de inteligência uruguaio nos anos 70 participou da vigilância do ex-presidente e da operação de substituição de cápsulas de remédio de João Goulart por cápsulas de veneno.  Ele apresentou sua versão em carta à comissão externa da Câmara dos Deputados que investigava o caso em 2000 e repetiu e a história em entrevistas ao jornal uruguaio La Republica em dezembro de 2002, aos jornalistas Carlos Heitor Cony e Anna Lee em 2003, ao filho do ex-presidente, João Vicente Goulart, em 2006, e ao jornal Folha de São Paulo no domingo passado. Além das entrevistas, Barreiro está com um livro pronto sobre o assunto.

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