Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

PF já abriu inquérito para apurar denúncia de Cunha

A primeira avaliação dos investigadores da Lava Jato é de que se trata de uma fraude sem qualquer consistência

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2015 | 19h36

Brasília - A Polícia Federal já instaurou inquérito para investigar denúncia do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que divulgou nesta terça-feira, 20, ter recebido um áudio no qual duas pessoas dialogam e um deles reclama de ter sido "esquecido" pelo parlamentar. A PF vai ouvir o deputado e fará uma perícia no áudio do CD-ROM apresentado pelo parlamentar. Cunha é o nome do PMDB que disputa a Presidência da Câmara dos Deputados. Ele disse que o caso representa uma tentativa de "alopragem" contra sua candidatura.

Em nota, a PF informou, ainda, que a denúncia de Cunha não atribui "a autoria da gravação a qualquer membro da Polícia Federal". O deputado havia encaminhado o CD-ROM ao Ministério da Justiça, cobrando investigação do caso, o que demandou providências da PF. Em entrevista coletiva, no final desta manhã, ele sugeriu que a PF teria atuado em parceria com o governo para prejudicá-lo. 


Cunha contou que foi procurado no sábado, em seu escritório no Rio de Janeiro, por um suposto policial federal portando cópia de uma gravação telefônica. Segundo o peemedebista, esse homem disse que a cúpula da Polícia Federal estaria orquestrando uma "montagem" para envolvê-lo em denúncias, de forma a prejudicar sua campanha ao comando da Câmara.

No áudio divulgado pelo candidato, um dos homens reclama que Cunha está "se dando bem", pois será presidente da Câmara, mas que o Ministério Público está pressionando e que não segurará a denúncia, e que isso jogará "a merda no ventilador". "Os amigos dele estão sendo esquecidos", ataca o interlocutor. No diálogo quase teatral, o suposto "aliado" de Cunha diz que não será abandonado e que não ficará sem dinheiro.

O Broadcast apurou com investigadores da operação Lava Jato que a primeira avaliação é que o diálogo se trata de uma fraude, sem qualquer consistência com o que existe nas investigações. Na entrevista coletiva, o deputado sugeriu que um dos interlocutores seria o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que havia afirmado, em depoimento, ter sido demandado pelo doleiro Alberto Youssef para entregar dinheiro a Cunha. Investidores da PF disseram ao Broadcast que nenhuma das vozes presentes no áudio divulgado hoje por Cunha é a de "Jayme Careca".

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