PF investiga se saiu do PT o pagamento da violação de sigilo

O que se sabe, até agora, é que antigo chefe de campanha de Dilma tem conta no banco de onde saiu o dinheiro

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 20h31

BRASÍLIA - A Polícia Federal investiga se os R$ 5 mil depositados na conta do despachante que comandou o esquema de violação de sigilo dos tucanos em São Paulo saíram de pessoas ligadas à campanha de Dilma Rousseff (PT).

 

O dinheiro foi depositado em dinheiro, no dias 9 e 17 de setembro, na boca do caixa da agência 1526 do Bradesco no Centro Empresarial Varig, em Brasília. O endereço fica a 100 metros do escritório do empresário na capital.

 

Ontem, a polícia recebeu a informação de que a mesma agência tem como cliente o jornalista Luiz Lanzetta, que comandou até junho a assessoria de imprensa da campanha de Dilma e integrou o núcleo de inteligência da pré-campanha da petista. Foi ele quem convidou o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, financiador direto da quebra do sigilo para integrar o grupo petista em abril deste ano.

 

Documento revelado ontem pelo Estado mostra que dois depósitos de R$ 2,5 mil foram feitos na conta do despachante Dirceu Rodrigues Garcia em setembro, a poucos dias do primeiro turno eleitoral. Em depoimento à PF no dia 6 de outubro, ele contou que o dinheiro foi oferecido por Amaury há um mês e meio. Garcia disse que o montante serviria para ele não comentar nada sobre a violação. "Esclarece que só aceitou o dinheiro oferecido por Amaury para ficar calado porque está passando por dificuldades financeiras", diz um dos trechos do depoimento.

 

"Amaury por diversas vezes pediu ao declarante que se fosse procurado para se explicar na polícia, deveria neste caso ficar calado", disse aos policiais. Anteontem, após a revelação de seu envolvimento no caso, o despachante minimizou o que disse à PF e afirmou que o dinheiro era apenas uma "ajuda de custo".

 

A PF quer saber por que os depósitos foram feitos em Brasília. Amaury mora e trabalha em São Paulo e vivia antes em Belo Horizonte. Um manuscrito inserido no inquérito menciona que a agência em que o depósito foi feito é de Brasília.

 

Procurado pelo Estado, Lanzetta negou envolvimento com o episódio. "Não conheço esse despachante e provavelmente não estava em Brasília nesse período em setembro", disse. "Querem transformar uma coincidência em fato", reforçou o advogado Antônio dos Santos Júnior.

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