PF investiga projetos financiados pela Sudam

Três projetos financiados pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) pertencentes a integrantes do PMDB de Altamira, um dos redutos eleitorais do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), estão sendo investigados pela Polícia Federal. Todos eles são suspeitos de terem sido fraudados. Outros seis empreendimentos, também de políticos peemedebistas da região - entre eles dirigentes do partido e vereadores aliados do senador na cidade - estão na mira da PF, depois que uma auditoria da Secretaria Federal de Controle comprovou indícios de irregularidades.As investigações da PF poderá comprovar uma antiga suspeita: a de que os recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam) estavam servindo para financiar campanhas políticas dos peemedebistas. A maior parte do dinheiro foi liberada em 1998, período das eleições e muitos projetos receberam o financiamento integral, mas hoje estão quase todos irregularidades. As investigações já mostram, porém, uma ligação entre eles, principalmente na troca de notas fiscais para justificar o gasto do dinheiro.A devassa da PF está sendo feita na Agropecuária Vitória Régia, de Laudelino Délio Fernandes Neto, integrante do diretório do PMDB em Altamira - que recebeu R$ 4,6 milhões - , e na Agropecuária Pedra Roxa, de José Albano Fernandes Sobrinho, parente de Laudelino, que teve financiamento de R$ 5,1 milhões. A família ainda tem outro projeto, a Agroindustrial Bela Vista - que recebeu R$ 4,2 milhões - e deverá ser investigada em breve.A PF apura também irregularidades na Agropecuária Beira da Mata, que pertence a José Soares Sobrinho, membro do PMDB local. Ele é irmão do empresário Romildo Onofre Soares, aliado de Barbalho, e que tem outros três projetos irregulares em Paraíso do Tocantins (TO). A Beira da Mata recebeu R$ 4,7 milhões. José Soares teria usado laranjas como acionistas majoritários dos empreendimentos, segundo o Ministério Público Federal.Soares Sobrinho, que já foi vice-prefeito de Altamira, também seria o dono da Indústria de Café Ouro Preto, que tem como acionistas majoritários Francisco Adailton Nobre Mendonça e Silvane Vieira dos Santos, tidos como laranjas do negócio. O MPF chegou a pedir a prisão preventiva dos dois, no mês passado. O mesmo esquema foi usado em outra empresa, a Frango Modelo, onde os acionistas seriam de fachada.O próprio presidente do PMDB de Altamira, Raimundo de Souza Aguiar, não ficou de fora das suspeitas de irregularidades e deverá, em breve, sofrer investigação. Souza é acionista minoritário da Frupasa - Agrofruticultura do Pará S/A, que tem como principais sócios Rogério Luiz Machado e Dulcilene Oliveira. Os dois podem ter sido usados como laranjas, já que não tinham capacidade econômica e financeira para dar a contrapartida dos recursos do Finam. Quando o empréstimo de R$ 5 1 milhões foi liberado, os dois tinham renda mensal de apenas R$ 27 mil.Também foram detectadas irregularidades - emissão de notas fiscais falsas - na Agroindústria Guará, de Waldecir Aranha Maia secretário-geral do PMDB de Altamira, que recebeu R$ 1,6 milhão da Sudam. Outra empresa beneficiada com dinheiro público, encabeçada por outro político peemedebista da região é a Agropecuária Rio Novo de Altamira.O empreendimento - agraciado com R$ 1, 9 milhão - está em nome de Jorge Fabrício Fontenele Mansour, mas na verdade seria de seu pai, o vereador Manoel de Jesus Mansour Abucater, também do PMDB de Altamira.Abucater possui ainda uma emissora de televisão e um posto de gasolina na cidade. Foram detectadas diversas irregularidades e o projeto deverá ser cancelado.

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