PF investiga PF em caso de morte de preso

O superintendente da Polícia Federal no Rio, Marcelo Itagiba, disse nesta quinta-feira que o auxiliar de cozinha Antônio Gonçalves de Abreu ? preso sob acusação de assassinar um agente e morto nas dependências da PF um dia depois ? pode ter sido vítima de policiais federais.?Se não houve ação (dos agentes), houve omissão. Ou houve ação e omissão?, disse Itagiba, após reunião com representantes da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembléia Legislativa do Rio.Itagiba reafirmou que a PF tem a responsabilidade de assegurar a integridade física dos presos custodiados e disse que em nenhum momento assumiu a versão dos 19 agentes que estavam de plantão quando Abreu foi morto ? de que ele fora espancado por seus companheiros de cela Samuel Cerqueira e Márcio Gomes, seus cúmplices na morte do policial Gustavo Moreira, ocorrido no dia 7 de setembro. ?Queremos buscar e identificar os verdadeiros culpados pela morte?, disse Itagiba.Os agentes foram afastados de suas funções. O superintendente afirmou ainda que as investigações não estão paradas. Ele garantiu que o delegado Paulo Yung, de Santa Catarina ? que foi designado para presidir o inquérito no último dia 6, depois que o Ministério Público Federal recomendou que alguém de fora do Rio tocasse o caso, para evitar acobertamento ? só espera que a Justiça remeta à PF os autos para assumir as investigações.Ainda deverão ser colhidos os depoimentos dos companheiros de cela do auxiliar de cozinha, que terão ainda de reconhecer os supostos agressores, e dos peritos que examinaram o corpo do morto.Isso ainda não foi feito, segundo Itagiba, porque não houve autorização judicial para que a PF ouvisse os presos. Também deverá ser realizada uma reconstituição dos fatos. Ele acredita que o caso seja encerrado dentro de um mês.Itagiba foi chamado nesta quinta-feira pela segunda vez pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, deputado Chico Alencar (PT). Para ele, está claro que os agentes foram os autores do espancamento ? Antônio Abreu teve lesões em todo o corpo, sofreu traumatismo craniano e saiu da carceragem da PF em coma.?No inquérito houve robustos indícios de que houve crime de tortura. As instituições públicas devem zelar pelos direitos humanos?, defendeu o parlamentar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.