Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

PF investiga petista e mais 10 em nova etapa da Lava Jato

Ação, que dá continuidade às apurações sobre desvios na Petrobrás, tem como foco diretoria de Serviços da estatal e BR Distribuidora; tesoureiro do PT já prestou depoimento

Andreza Matais, Fábio Fabrini, Ricardo Brandt, Erich Decat e Alvaro Campos, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2015 | 07h49

Atualizado às 15h14

BRASILIA - A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, 5, a nona fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás. Segundo integrantes da força-tarefa da Lava Jato, a ação teve como objetivo coletar provas de desvios ocorridos na diretoria de Serviços da Petrobrás, que teriam a participação de onze operadores, entre eles o tesoureiro nacional do PT, Vaccari Neto. Ele prestou depoimento na sede da Polícia Federal, em São Paulo, e foi liberado no início da tarde. Contratos da BR Distribuidora, subsidiária da estatal, também são alvos desta etapa.

Cerca de 200 policiais federais, com apoio de 25 servidores da Receita Federal, cumprem 62 mandados judiciais: um de prisão preventiva, três de prisão temporária, 18 de condução coercitiva e 40 de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina. A PF não revelou os nomes investigados. Vaccari foi citado como operador do PT no esquema, segundo depoimentos feitos à operação, entre eles os prestados pelo doleiro Alberto Youssef.

A Polícia Federal afirma que a nova etapa é resultado da análise de documentos e contratos já apreendidos pela PF, além de informações repassadas por um dos investigados e de denúncias de uma ex-funcionária de uma das empresas alvo da Lava Jato.

Os operadores, segundo a Polícia Federal, atuam na intermediação do pagamento de propinas obtidas por meio de contratos da estatal. Os onze investigados nesta etapa teriam relação com desvios ocorridos na diretoria de Serviços - que foi comandada por Renato Duque, alvo da investigação, indicado para o cargo pelo PT.  

"Os fatos investigados vão até o ano de 2014. Não podemos dizer a data de início do esquema, mas fatos aconteceram até o ano passado", afirmou o procurador federal Carlos Fernando, em entrevista coletiva concedida no final desta manhã. 

Segundo ele, os outros envolvidos não têm ligação com o PT. O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula também disse não ser possível estabelecer, neste momento, relação dos desvios com o partido.  

"Vaccari teria relação com esquema de operadores. É uma investigação, não há acusação", afirmou procurador-regional da República Carlos Fernando Lima. "Temos informações que Vaccari solicitava valores legais e ilegais de pessoas que tinham contrato com a Petrobrás. Não podemos dizer exatamente o destino das doações solicitadas por Vaccari. Mas queremos saber informações de doações que Vaccari solicitou, legais ou ilegais", acrescentou. Em seu depoimento, que durou cerca de três horas, Vaccari afirmou que os recursos recebidos pelo partido eram regulares e não eram fruto de propina. O tesoureiro deixou o prédio da PF sem falar com os jornalistas.

De acordo com os investigadores, também foi foco da nona fase da Lava Jato contratos firmados com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás. Uma grande empresa de Santa Catarina, Arxo Industrial do Brasil Ltda, suspeita de pagar propina em troca de informações privilegiadas e contratos direcionados com a subsidiária, foi alvo de busca.

Prisões. Segundo integrantes da operação, as prisões ocorreram com base em depoimento de um dos colaboradores da Lava Jato. "A palavra de um colaborador tem força relativa, vamos atrás de provas materiais", afirmou o procurador Carlos Fernando.

Os dois mandados de prisão temporária ocorreram em Santa Catarina. Os outros dois ainda não foram cumpridos porque uma das pessoas ainda não foi encontrada e a outra está fora do País. "Ainda não é conveniente revelar nomes de envolvidos, porque diligências estão em curso", afirmou Fernando.

O procurador informou ainda que nenhum dos mandados envolve o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, indicado pelo PT ao cargo. "Se houvesse prova contra Renato Duque ele estaria sendo preso hoje", ressaltou o procurador.

Segundo os agentes, a demora nas buscas se deve ao volume de dinheiro encontrado nas empresas alvo da operação. "Há volume muito grande de dinheiro apreendido em uma das empresas onde foi feita a busca. Vai demorar para ser contado", afirmou o delegado Igor Romário de Paula.

"My Way". A nona fase da Lava Jato foi batizada pela Policia Federal de "My Way", em referência a como um dos delatores do esquema, Pedro Barusco, se referia ao ex-diretor Renato Duque.

A oitava etapa, realizada em 14 de janeiro, marcou a prisão preventiva do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, que continua preso na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR). Na fase anterior, deflagrada em novembro do ano passado, o foco das investigações foram executivos das principais empreiteiras do País. Na ocasião, quatro presidentes de grandes empreiteiras, 15 executivos e um ex-diretor da Petrobrás ligado ao PT tiveram prisões decretadas.

A força-tarefa da Lava Jato suspeita que as empresas organizaram um cartel que, por meio de fraudes e pagamento de propinas, firmou seguidos contratos com a Petrobrás, calculados em R$ 59 bilhões. O esquema envolve, segundo as apurações, ex-dirigentes da estatal e políticos de ao menos sete partidos, entre eles PT, PMDB e PP.

Na primeira etapa da Lava Jato, realizada em março do ano passado, foram presos o doleiro Alberto Yousseff, considerado pela PF como peça central do esquema, e

e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Tempos depois, ambos assinaram acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal em troca de possíveis perdões judiciais./Colaboraram José Roberto Castro e Ricardo Chapola

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