PF investiga mais dois parlamentares por fraude

Dois deputados tiveram gabinetes vasculhados, mas novos nomes são mantidos em sigilo

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

28 de junho de 2008 | 00h00

A Polícia Federal levantou os nomes de pelo menos mais dois parlamentares e de diversos outros políticos com direito a foro especial envolvidos com o grupo que desviava recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), desmantelada na semana passada pela Operação João de Barro. Até agora, só haviam sido levantados indícios contra os deputados mineiros Ademir Camilo (PDT) e João Magalhães (PMDB), cujos gabinetes foram alvo de buscas e apreensões.Os dois negaram envolvimento nas irregularidades, mas a Polícia Federal deve pedir ao Ministério Público o indiciamento de ambos. Ontem, o delegado Nelson Cerqueira, encarregado do inquérito, informou que está avaliando o material coletado nas mais de 80 buscas realizadas até agora e concluindo o cruzamento de dados. Ele pretende enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima semana relatório detalhando o envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro, como os parlamentares. Entre os investigados estão também 30 prefeitos, quase todos de Minas.Em cumprimento à determinação do ministro Cezar Peluso, do Supremo, Cerqueira informou que não divulgará o nome de nenhum dos políticos envolvidos no caso, pelo menos até que o Ministério Público ofereça denúncia."Pretendemos fazer relatório específico, destacando os indícios eventualmente encontrados em desfavor de políticos em geral e pessoas ?tidas por públicas?, mas qualquer dado que os possa identificar poderá provocar juízo de valor antecipado", justificou o delegado Cerqueira.GRUPOSDe acordo com as investigações da PF, três grupos de lobistas atuavam com desenvoltura na aprovação de projetos e liberação de recursos do PAC em favor de empresas da quadrilha. O principal deles era comandado por João Carlos de Carvalho, de Belo Horizonte, em torno do qual gravitavam outros subgrupos. "Ele era responsável pela facilitação na aprovação dos projetos e por isso era procurado por outros grupos interessados no objeto das licitações", explicou o delegado. No momento, PF está debruçada na análise do material apreendido. Nessa etapa, são identificadas as obras objeto das negociatas da quadrilha, segundo explicou o delegado. É observado, por exemplo, se as obras sob investigação já foram iniciadas, se são fictícias, se possuem má qualidade e outras características que indiquem faturamento.Peritos analisam também se houve uso de materiais de baixa qualidade, ou em quantidade diversa da especificada no edital e no contrato. Não há previsão de tempo para conclusão dos trabalhos.FACILIDADESOs principais investigados, segundo o delegado, confirmaram o relacionamento entre si em torno das obras do PAC, mas negaram ou apresentam versões incoerentes sobre a intenção de direcionamento de licitações, ou facilidades para liberação de verbas públicas. "Já temos clareza sobre a forma de operar dos diversos grupos e o papel desempenhado pelos já ouvidos. Resta definir as ações concretas para tipificação e individualização dos crimes de cada um", relatou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.