PF investiga destino de recursos doados pelos EUA

A Polícia Federal (PF) realizou sindicância para investigar se algum dos seusdirigentes cometeu irregularidade na utilização de recursos que o governo dos Estados Unidos doa anualmente para o combate eprevenção às drogas e ao terrorismo. Só no ano passado, foram enviados ao país, por meio da embaixada norte-americana, cercade R$ 5 milhões de dólares. Menos da metade do dinheiro foi utilizado em operações que incluiram investigações de lavagem dedinheiro.O diretor-geral da PF, delegado Paulo Lacerda, explicou que o dinheiro é remetido há vinte anos ao país, respaldado emconvênio de cooperação entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, assinado em 1974.Como não entra no orçamento da União, o dinheiro é usado pela instituição em situações emergenciais em que a instituiçãoprecisa deslocar equipes ou realizar diligências com rapidez. Pelos trâmites normais do serviço público, explicou Lacerda, a liberação de recursos depende de disponibilidade orçamentária ede um longo caminho de papéis e carimbos de departamentos. "Sempre há o risco de algum desvio e estamos atentos, comsindicâncias frequentes. Se for detectada irregularidade, puniremos o responsável", afirmou.Na próxima quarta-feira, Lacerda irá ao Congresso com os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e do Gabinete daSegurança Institucional, general Jorge Félix, prestar esclarecimentos sobre o convênio e discutir forma de tornar o uso dosrecursos mais transparente e fiscalizado pelo poder público, sem no entanto cair na vala comum da burocracia.Na edição que chegou às bancas hoje, a revista Isto É traz matéria sobre o resultado da sindicância. A reportagem revela queum setor da PF, a Coordenação de Operações de Inteligência Especializada (Coie), recebeu "milhares de dólares" em malasentregues pela embaixada americana. Diz ainda que por muito tempo o dinheiro foi trocado em casas de câmbio de Brasília. Conforme a reportagem, o chefe atual da Coie, Disney Rosseti, revelou à sindicância acreditar que o departamento "continuafrequentado por agentes camuflados da CIA (a agência de inteligência americana)".Lacerda disse que receber ou não dinheiro de outro país é uma questão a ser decidida pelo governo. Explicou também que, umavez firmado o acordo, existem contrapartidas e não cabe ao Brasil escolher os órgãos deles envolvidos na cooperação, se será aCIA, A DEA (repressão às drogas) ou o FBI (polícia federal americana).Já a diretora de inteligência policial da PF, Mariam Ibrahim, não cita o órgão de inteligência americana. Mas, na reportagem, diz:"Toda verba utilizada nas atividades da Coie é fornecida pelo governo dos Estados Unidos, através da embaixada em Brasília."

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