PF investiga denúncia de contas no exterior de autoridades

A área de Inteligência da Polícia Federal começou a fazer uma varredura no sistema financeiro brasileiro e internacional para ver se descobre contas bancárias em paraísos fiscais em nome das autoridades brasileiras que teriam sido citadas pelo banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, em entrevista à revista Veja.Entre essas autoridades, estariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o ex-ministro Antonio Palocci, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) e o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. Todos eles negam a acusação e anunciaram que vão processar o banqueiro e a revista.As primeiras investigações não encontraram nenhuma conta em nome dos acusados, mas a PF não descarta a possibilidade de vir a encontrar alguma, seja em nome de homônimo ou aberta dolosamente por alguém interessado em incriminar essas autoridades.O ponto de partida do inquérito da PF é que o chamado DDD (Dossiê Daniel Dantas) é falso e teria sido fabricado pelo próprio banqueiro para desacreditar o governo federal e obter vantagens judiciais nos processos que ele responde na Justiça.Dantas será intimado a depor na próxima semana e, se a suspeita da PF ficar comprovada, ele pode sair do depoimento indiciado por falsidade ideológica, crime contra a honra e outras tipificações que estão sendo analisadas. Antes, a PF vai tomar os depoimentos dos jornalistas Diogo Mainardi e Márcio Aith, autores das matérias publicadas na revista. As autoridades citadas no dossiê, entre as quais Lula e Lacerda, anunciaram que pretendem processá-los por danos morais. Os dois jornalistas prometeram ao delegado Disney Rosseti, encarregado do inquérito, entregar todos os documentos que amparam a reportagem e colaborar com as investigações.A PF vai periciar os documentos para detectar sinais de fraude. O diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, entregou ao delegado Rosseti documento em que abre mão do seu sigilo bancário e autoriza que sua vida financeira seja devassada no Brasil e no exterior. Os demais até agora não fizeram o mesmo.Lacerda não descarta a hipótese de que apareça alguma conta em seu nome, seja por se tratar de um homônimo, como já ocorreu no passado, ou aberta dolosamente por alguém que o queira prejudicar. Quando trabalhava como assessor da CPI do Banestado, Lacerda foi citado como beneficiário de passagens aéreas da Vasp, uma das empresas investigadas. Uma investigação minuciosa descobriu a existência de seis pessoas com nome de Paulo Lacerda. Uma delas confessou ser o beneficiário.Por sua vez, Thomaz Bastos já admitiu, desde o início do governo, que teve uma conta no exterior, declarada legalmente ao Imposto de Renda. Os recursos da conta, conforme o ministro, foram repatriados após seu encerramento, no ano passado.Dantas é um velho conhecido da PF e já está denunciado em dois processos na Justiça Federal decorrentes do inquérito do caso Kroll, empresa norte-americana acusada de ter feito espionagem ilegal no Brasil a mando do banqueiro, para atingir desafetos empresariais.Nesses processos, que entraram em fase de julgamento com parecer do Ministério Público pela condenação, Dantas está denunciado por corrupção ativa, quebra ilegal de sigilo telefônico, violação de sigilo bancário e formação de quadrilha. Se for condenado, ele pode pegar até nove anos de prisão e perderá a primariedade.

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