PF investiga contrato de mulher de Jader com a Sudam

A Polícia Federal vai abrir inquérito para apurar se a empresa Centeno & Moreira, pertencente à Márcia Cristina Zaluth Centeno, mulher do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), cometeu fraudes contra a Sudam. O inquérito principal do caso será desmembrado em outros 76, que investigarão os projetos dos escritórios de Maria Auxiliadora Barra Martins e Geraldo Pinto da Silva, suspeitos de serem os principais envolvidos nas irregularidades na Sudam. A PF decidiu pedir a quebra de sigilo telefônico de outras pessoas envolvidas no caso.O delegado que preside o inquérito, Hélbio Dias Leite, aguarda apenas a comunicação oficial da Sudam mostrando as irregularidades no projeto de Márcia Cristina, que recebeu dinheiro público para montar um criadouro de rãs no interior do Pará. Segundo nota da Centeno & Moreira, a Sudam liberou R$ 335 mil, mas a autarquia suspeita que o montante poderá ter sido maior, chegando a R$ 9,6 milhões.O delegado informou que não fará distinção sobre os proprietários dos projetos. "Para mim não faz diferença a quem envolva. Até se envolver meu pai, azar é o dele", disse Dias Leite.Segundo Dias Leite, se ficarem comprovadas as irregularidades no ranário de Márcia Cristina, ela será chamada para depor na Polícia Federal. O mesmo será feito em relação aos demais envolvidos. "Primeiro vamos ver a participação e as irregularidades de cada uma das pessoas ou empresas", afirmou Dias Leite.A PF já decidiu que vai investigar todos os projetos que tiveram assessoria de Maria Auxiliadora e Geraldo Pinto da Silva, mesmo que eles não tenham sido considerados irregulares pela Sudam. Somente nos últimos quatro anos, 68 empreendimentos receberam financiamento público por intermediação da AME, a consultoria de Maria Auxiliadora. Do R$ 1,1 bilhão pleiteado, foram liberados R$ 248 milhões. Geraldo conseguiu a aprovação de 18 projetos, que receberam cerca de R$ 50 milhões.Pelas investigações realizadas até agora, a PF acredita que, apesar de aprovarem projetos em separado, Maria Auxiliadora e Silva eram do mesmo grupo. Tanto é, que parte do material apreendido nos escritórios de ambos, em Belém, haviam documentos relacionados a projetos aprovados pelas duas consultorias.Para aprofundar-se nas investigações, a PF também vai pedir a quebra de sigilo telefônico dos principais acusados de envolvimento nas fraudes da Sudam. Esta semana, o Ministério Público Federal também entrará com um pedido de quebra de sigilo bancário de 39 pessoas, incluindo dois ex-secretários executivos do Ministério da Integração Nacional - Benivaldo Alves de Azevedo e Maurício Benedito Vasconcelos - e do ex-superintendente da Sudam, José Arthur Guedes Tourinho.

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