PF investiga contas do ranário de mulher de Jader

A Polícia Federal vai abrir inquérito e pedir a quebra de sigilo bancário do ranário Touro Gigante, de Márcia Cristina Zaluth Centeno, mulher do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). A decisão foi tomada depois do depoimento do empresário Danny Gutzeit, que afirmou ter depositado na conta da empresa de Márcia R$ 70 mil, que supostamente seriam para o senador. O ranário faz parte da relação de projetos financiados pela extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) sob suspeita de fraudes, hoje em torno de R$ 9 milhões.Pela primeira vez, a Polícia Federal chega perto de Jader nas investigações sobre os desvios na liberação de financiamentos da Sudam. Nos depoimentos tomados pela PF, alguns ainda em caráter informal, o nome do presidente licenciado do Senado foi apontado algumas vezes mas, de concreto, apenas o interrogatório de Gutzeit mostrou a provável ligação do senador com o grupo de Altamira (oeste do Pará), onde 48 projetos receberam R$ 231 milhões de recursos da Sudam. O nome do deputado federal José Priante (PMDB-PA), primo e aliado de Jader, também aparece nos interrogatórios.Uma das primeiras providências que a PF irá tomar é pedir a quebra do sigilo bancário do ranário Touro Gigante, para comprovar o depoimento de Gutzeit. "Vamos verificar se realmente o dinheiro entrou na conta da empresa", afirma um dos quatro delegados envolvidos nas investigações. Será solicitada, também, a quebra de sigilo bancário de Gutzeit, que fez a denúncia, e de alguns outros políticos de Altamira, citados em diversos depoimentos que vêm sendo tomados pela PF na cidade.Com a abertura de inquérito sobre o ranário, Jader e Priante, segundo fontes da PF, devem ser chamados a depor. Se isso acontecer, será a segunda vez que o presidente do Poder Legislativo comparece diante da polícia para ser interrogado. Na primeira vez, em julho, Jader teve de se explicar ao delegado Luiz Fernando Ayres Machado sobre seu suposto envolvimento na venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) da Fazenda Paraíso, desapropriada irregularmente em 1988, quando o senador era ministro da Reforma Agrária.Os depoimentos que estão sendo tomados em Altamira pelo delegado Hélbio Dias Leite não só aproximam Jader do esquema, mas mostram cada vez mais o envolvimento de políticos do PMDB nas irregularidades. Além de José Soares Sobrinho - preso na manhã de sábado por atrapalhar as investigações - a PF também está chegando a diversos outros nomes, todos ligados ao PMDB de Altamira, um dos principais redutos eleitorais de Jader. Nesta semana, os policiais devem convocar para depor o prefeito da cidade, Domingos Juvenil (PMDB), considerado um dos maiores beneficiários políticos do esquema de fraudes.

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