Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

PF investiga ameaças ao juiz da Lava Jato no Rio

Agentes federais apuram dois planos de assassinato do magistrado, um que partiu de um presídio e outro do Disque Denúncia

O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2017 | 17h21

Uma equipe da Polícia Federal de Brasília está no Rio para investigar as ameaças feitas ao juiz Marcelo Bretas, responsável pelas ações da Lava Jato, no Rio. Pelo menos dois planos de assassinato que tinham o juiz como alvo foram descobertos. Bretas, que decretou a prisão do ex-governador Sérgio Cabral Filho, do empresário Eike Batista e do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, entre outros, teve a segurança reforçada no início de abril. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estado.

Um dos planos para matar Bretas partiu de um presídio. Outro chegou por telefone, numa ligação ao Disque Denúncia. O juiz, titular da 7.ª Vara Federal Criminal, começou a ter escolta de agentes federais em fevereiro. Naquele mês, pessoas estiveram na cantina e na portaria do prédio da Justiça Federal e tentaram obter informações sobre a rotina de Bretas.

Há duas semanas, o desembargador André Fontes, presidente do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, determinou o reforço da segurança. “O tribunal está atento à situação do juiz Bretas. Esse talvez seja um dos maiores desafios que o tribunal enfrenta hoje. Vim aqui simbolicamente dizer a todos que essa preocupação que paira sobre o juiz hoje também é preocupação do tribunal”, disse o desembargador, na ocasião.

A equipe da PF de Brasília que está no Rio é a mesma que avaliou as ameaças recebidas pelo juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba. Moro, a princípio, recusou a escolta. Mas desde março de 2016 é acompanhado por agentes federais e se locomove em veículos blindados.

Em outubro passado, quando esteve no Rio para receber o prêmio de Homem do Ano, pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria, Moro esteve o tempo todo sob a vigilância dos agentes. No jantar para 150 pessoas, em que os convites custaram entre R$ 400 e R$ 600, era exigido traje black tie. Os policiais vestiram-se a caráter e misturaram-se aos convidados.

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