PF investiga 22 projetos irregulares na Sudam

A Polícia Federal começou hoje uma operação para levantar as irregularidades de 22 projetos financiados pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) na área da Transamazônica, um dos redutos eleitorais do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Os projetos suspeitos receberam cerca de R$ 70 milhões do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam). O resultado das investigações será enviado para Tocantins, até o final da semana, para ser cruzado com vários documentos que já estão em poder da PF. Dos 22 projetos, a maioria na área de Altamira, Brasil Novo, Uruará e Medicilândia, apenas um não foi feito pela AME Consultoria, da ex-funcionária da Sudam, Maria Auxiliadora Barra Martins, considerada uma das principais envolvidas nas fraudes.Em alguns casos, a PF e o Ministério Público Federal têm praticamente certo que os empreendimentos foram montados em nome de "laranjas". A área da Transamazônica é tida como um dos principais redutos políticos do senador Jader Barbalho. Dos 22 projetos que estão sob investigação pela Polícia Federal, 21 foram aprovados pela Sudam em 1998, ano da última eleição presidencial, para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa. Quase todos os empreendimentos receberam os recursos integrais do Finam. A fiscalização dos funcionários da Sudam também avaliaram, na época, como regular a implementação dos projetos, mas uma auditoria feita pelo Ministério da Integração Nacional mostrou que os fiscais fizeram vistas grossas em relação às irregularidades. As informações levantadas pela PF na Transamazônica serão trazidas para Palmas até a próxima semana, segundo calcula o procurador da República em Belém, Felício Pontes, para serem confrontados com documentos apreendidos em outras operações. Pelo menos duas empresas que estão sendo investigadas na Transamazônica tinham cheques em branco em poder de Maria Auxiliadora Barra, segundo constatou a PF.O delegado Hélbio Dias Leite, que preside o inquérito sobre as fraudes na Sudam ouviu o empresário Eneuses Afonso Pereira que, segundo a coletora da Secretaria de Fazenda em Paraíso do Tocantins, Eliana Pereira, foi a pessoa com quem Romildo Onofre Soares conversou sobre a caixinha existente na Sudam. Eliana disse na semana passada, que Eneuses e seu irmão Eudes, além de um advogado, tinham participado de uma reunião informal com Soares, que afirmou ter privilégios para conseguir recursos da Sudam, mas 10% seria para o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Eneuses negou que tivesse conversado sobre esse assunto com Romildo, apesar de admitir que realmente houve o encontro entre os dois em seu supermercado. Eudes, que também esteve na PF, não prestou depoimento, já que não teria participado da reunião. A expectativa agora é em relação ao ex-coletor de impostos do município, Luiz Antônio Barbosa de Carvalho, que confirmou um encontro com Romildo, na qual o empresário dizia ser amigo do senador. Além disso, Carvalho é apontado como o responsável pela liberação de uma área no Distrito Industrial de Paraíso do Tocantins para as empresas de Romildo, num processo considerado irregular. O ex-coletor deverá depor amanhã pela manhã.

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