PF inicia destruição de pistas clandestinas no Pará

A Polícia Federal destruiu nesta sexta-feira, com 500 quilos de dinamite, a primeira de um total de 34 pistas de pouso clandestinas existentes na Estação Ecológica da Terra do Meio, no sudeste do Pará, região onde foi assassinada, há um ano, a freira norte-americana Dorothy Stang. O ato, que teve a presença dos ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e do Meio Ambiente, Marina Silva, além do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, deu a largada do processo de evacuação radical de uma área de 3,37 milhões de hectares, o equivalente aos territórios de Alagoas e do Distrito Federal juntos.Localizada na área de interesse ambiental mais sensível da amazônia paraense, a estação é a maior reserva de proteção integral do mundo, em área contínua. Das 34 pistas ilegais, 23 ficam dentro da estação e 11 no seu entorno. As estradas de escoamento da produção e de ligação entre as cidades que cortam a área serão também desativadas e os acessos por rio, vigiados em pontos estratégicos. No futuro, só poderão entrar na área expedições com fins científicos e servidores públicos de órgãos autorizados, como Ibama e Funai.Os fazendeiros que comprovarem a legitimidade da propriedade serão indenizados, os grileiros expulsos e os colonos existentes reassentados em outros locais, a fim de que toda a área se regenere e volte a ser floresta. Essa é a primeira vez no País que uma grande área devastada deixa de ser zona de fronteira agrícola e volta a ser mata, segundo observou Marina. "Não vamos baixar a guarda e a presença do estado será cada vez mais forte, pois se trata de uma missão civilizatória do mais alto interesse do País", disse.Rica em recursos naturais, como mogno e outras madeiras nobres, a Terra do Meio virou alvo de cobiça e sofreu um processo frenétrico de desmatamento nos últimos anos, até a morte de Dorothy, com seis tiros, em 12 de fevereiro de 2005, a mando de grileiros. Ela organizava a resistência de colonos contra investidas de grileiros. "A história de impunidade chega ao fim na região", disse Bastos, lembrando que o assassinato da irmã está esclarecido e os seus autores presos.Comandada pelo experiente delegado Mauro Spósito, coordenador de Operações Especiais de Fronteira da PF, a Operação TM (Terra do Meio), que desmonta os acessos por terra, água e ar à região, faz parte do conjunto de ações federais para enfrentar os crimes ambientais e os conflitos pela posse da terra no local.Cercada por terras indígenas, a Terra do Meio fica entre os rios Tapajós e Xingu, no sudeste do Pará, região que vinha se tornando foco de violência e conflitos fundiários. Estão enraizados na área, segundo informou Lacerda, o crime organizado, o narcotráfico, a exploração ilegal de madeira, a exploração clandestina de minérios, a grilagem de terras públicas e invasão de terras indígenas.

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