ED FERREIRA/AE - 06/05/2009
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PF indicia Zoghbi, ex-diretor do Senado, por três crimes

Ex-diretor de RH é suspeito de favorecer empresa de ex-babá na concessão de crédito consignado no Senado

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo,

10 de agosto de 2009 | 16h06

A Polícia Federal indiciou nesta segunda-feira, 10, o ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi pelos crimes de formação de quadrilha, inserção de dados falsos em sistema oficial e concussão. O indiciamento ocorreu logo após o depoimento de Zoghbi ao delegado Gustavo Buquer na manhã desta segunda.

 

Para a Polícia Federal, Zoghbi agiu para favorecer a Contact Assessoria de Crédito dentro do Senado. A empresa tem uma ex-babá dele como sócia e intermediou a venda de empréstimos consignados a servidores do Senado. A Contact recebeu só do Banco Cruzeiro do Sul, por exemplo, R$ 2,2 milhões pelos empréstimos concedidos aos funcionários da Casa.

 

 

Em seu depoimento, Zoghbi negou qualquer favorecimento à Contact. Sindicância interna da Casa - revelada pelo O Estado de S. Paulo no último dia 2 - mostrou que Zoghbi alterava a margem consignável dos funcionários para que eles pudessem contrair empréstimos acima do limite determinado de 30% do salário. Zoghbi também é acusado pela Polícia Federal de ter cometido o crime de falsidade documental. Segundo a polícia, o ex-diretor de recursos humanos do Senado inseriu dados falsos no sistema de crédito consignado da Casa. Zohgbi negou ter cometido tais crimes.

 

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Essa versão da história que Zohgbi apresentou à Polícia Federal é diferente da relatada a uma comissão de sindicância do Senado. No depoimento ao órgão interno da Casa, Zohgbi admitiu ter fraudado 10% dos pedidos de crédito. Alegou que, com a medida, estava ajudando colegas que tinham graves problemas financeiros.

 

A investigação da sindicância também demonstrou que Zohgbi barrava as auditorias no Ergon, que é o sistema informatizado da folha de pagamento.  O relatório da sindicância diz que o "caso é gravíssimo".

  

O ex-diretor já sofre um processo disciplinar no Senado que poderá levar a sua expulsão do serviço público. A expectativa agora é que funcionários da Contact também sofram indiciamento.

 

Zoghbi comandou a Secretaria de Recursos Humanos por mais de dez anos. Deixou o cargo em março, após a revelação de que repassou aos filhos um apartamento funcional do Senado. A descoberta da ligação com esquema de empréstimos consignados abriu uma sindicância que muniu a PF na investigação.

 

O ex-diretor responde a outro processo, referente aos atos secretos. O ex-diretor pediu aposentadoria, mas pode perder o benefício.

 

Atos secretos

 

Além das acusações de ter favorecido a empresa Contact Assessoria de Crédito, permitindo que funcionários da Casa contraíssem empréstimos consignados superiores a 30% de seus salários, que é o limite permitido, Zohgbi também é acusado de, juntamente com o ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, ser o responsável pela não publicação de atos administrativos da casa, os atos secretos.

 

O servidor do Senado Franklin Albuquerque Paes Landim, chefe de publicação dos atos, disse à Polícia Federal no dia 16 de julho que Agaciel e Zohgbi eram os mentores dos atos secretos e que pediam para que não fossem publicados. Segundo Landim, ele recebia tais ordens de Celso Antonio de Menezes, ex-chefe de gabinete de Agaciel.

 

 

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