PF indicia presidente e três executivos do banco Opportunity

Investigados na Satiagraha, executivos foram condenados, entre outros, pelo crime de gestão fraudulenta

Agência Brasil

28 de abril de 2009 | 18h46

Quatro executivos do Banco Opportunity foram indiciados nesta terça-feira, 28,  pela Polícia Federal em um dos inquéritos da Operação Satiagraha, que investiga crimes financeiros. Foram indiciados o presidente do banco, Dório Ferman, o gestor Itamar Benigno Filho, o ex-vice-presidente Carlos Rodenburg e o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz. Todos foram indiciados formalmente ao comparecerem hoje à sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo para prestar depoimentos.

 

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Na saída de seu depoimento à Polícia Federal, por volta das 16h, Dório Ferman disse que é inocente. "Somos pessoas honestas. Não praticamos crimes. Vamos esclarecer dentro da lei e do Estado de Direito", disse ele.

 

Aos jornalistas, Ferman disse que é presidente do Opportunity desde a sua criação e defendeu que o seu banco "é uma empresa correta", que "paga os impostos, cumpre sua função social e nunca fez evasão fiscal". O presidente do banco também aproveitou para pedir aos jornalistas que investigassem a Operação Satiagraha "para melhorar a democracia brasileira".

 

"A voz das ruas levou à condenação de Jesus Cristo, à fogueira da inquisição e ao nazismo. Cabe a vocês, jornalistas, esclarecer e contribuir para o bem do país", disse Ferman.

 

Os quatro executivos foram condenados pelos crimes de gestão fraudulenta, evasão de divisas, empréstimo vedado, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ontem (27), a Polícia Federal já havia indiciado outras seis pessoas pelos mesmos crimes, entre elas, o banqueiro Daniel Dantas e sua irmã, Verônica Dantas. No total, 13 pessoas foram indiciadas pelo delegado Ricardo Saadi nesse inquérito da Operação Satiagraha, que investiga especificamente o Banco Opportunity.

 

Os advogados que defendem Ferman e Braz reclamaram dos indiciamentos e disseram que seus clientes não responderam hoje às perguntas da Polícia Federal porque novos documentos foram anexados aos autos nos últimos dias, entre eles, informações do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 

Renato de Moraes, advogado que defende Humberto Braz, disse ter orientado seu cliente a se manter calado porque só teve acesso a parte do inquérito policial - formado por 20 volumes e centenas de adendos - no dia 24 de abril e também porque o indiciamento seria "uma mera opinião do delegado", já previsto no inquérito policial antes mesmo do depoimento de seu cliente à Polícia Federal. Seu cliente, Humberto Braz, já foi condenado pela Justiça Federal na mesma Operação Satiagraha pela tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal para retirar o nome de Daniel Dantas das investigações.

 

Já o advogado do presidente do banco, Antônio Pitombo, disse que seu cliente não assinou o indiciamento policial e que entrou hoje com um habeas corpus na Justiça Federal, alegando que a defesa não teve acesso aos novos documentos que foram anexados aos autos. "Se for concedido prazo para exames desses documentos, é evidente que nós vamos depor", disse.

 

Pitombo também reclamou da pressa da Polícia Federal em terminar o inquérito, que deve ser encaminhado até o final desta semana ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo. "Há uma pressa política de se encerrar a Operação Satiagraha", disse o advogado, ressaltando que a operação vai ser uma "marca para os brasileiros", definindo "o antes e o depois".

 

"Ou o Brasil opta por ser um país reacionário ou vai ser o país onde se cumpre a Constituição da República e a lei", afirmou.

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