PF indicia presidente da Câmara Municipal de Maceió

Fontan é irmão de deputado acusado de ligação com desvios na Assembléia alagoana

Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

Depois de prestar depoimento na Polícia Federal, o presidente da Câmara Municipal de Maceió, Arnaldo Fontan (DEM), foi indiciado ontem na Operação Taturana, que investiga o desvio de quase R$ 300 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. Fontan é irmão do deputado estadual Cícero Amélio (PMN), que foi afastado do cargo por decisão da Justiça, acusado de participação no golpe contra o Legislativo alagoano.O vereador prestou depoimento ao delegado Janderlyer Gomes, que preside o inquérito da Operação Taturana. Antes de entrar na superintendência da PF, Fontan deu entrevista à imprensa e se disse inocente das acusações. "Vou aproveitar essa oportunidade para esclarecer a situação e provar minha inocência", disse o parlamentar, que estava acompanhado do advogado Marcelo Brabo.Depois de prestar depoimento, já indiciado, o vereador disse que isso não significa sua condenação. "Hoje sou a estrela. Vejam quantas câmeras estão na minha frente", ironizou, para em seguida se queixar: "Isso pode prejudicar minha candidatura à reeleição nas eleições municipais."MEMÓRIASegundo consta no inquérito, Fontan teria recebido R$ 89 mil do ex-diretor de Recursos Humanos da Assembléia Roberto Menezes, que também já foi indiciado na Operação Taturana. "Quero ver que acusação é essa, porque que eu me lembre nunca recebi dinheiro da Assembléia Legislativa de Alagoas", disse o vereador, garantindo que fará de tudo para contribuir com o trabalho do delegado. Ele sustentou ainda que seu irmão não tem conhecimento do empréstimo que teria recebido de Menezes.De acordo com o delegado Janderlyer, Fontan será indiciado por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Ele afirmou que tem em mãos 18 laudos periciais dos documentos apreendidos durante a Operação Taturana, desencadeada em dezembro, que reforçam os indícios contra os acusados.FANTASMASDe acordo com a polícia, a quadrilha desviava recursos públicos com a inclusão de fantasmas e laranjas na folha de pagamento da Assembléia. Teria cometido, ainda, fraudes nas restituições do Imposto de Renda de servidores da Casa, mediante informações falsas sobre retenção do tributo na fonte. Outra irregularidade constatada pelas investigações foi o levantamento de empréstimos irregulares em instituições bancárias pelos parlamentares, usando a verba de gabinete como garantia e a Assembléia como avalista.A Operação Taturana prendeu em dezembro do ano passado 40 pessoas, entre as quais um ex-governador, políticos, assessores e funcionários da Assembléia alagoana, além de fazer a apreensão de um arsenal de armas. O esquema teria desviado mais de R$ 200 milhões da Assembléia Legislativa, nos últimos 5 anos. Por causa das investigações, nove deputados estaduais foram afastados do cargo.

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