PF indicia nora de Sarney

Mulher do empresário Fernando Sarney, Teresa Murad é acusada de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica

Rodrigo Rangel, SÃO LUÍS; Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

Acusada de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e por operar instituição financeira sem autorização, a empresária Teresa Murad, nora do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi indiciada ontem pela Polícia Federal no inquérito da Operação Boi Barrica. Mulher do empresário Fernando Sarney, filho do senador e responsável pelos negócios da família no Maranhão, Teresa figura ao lado do marido e da filha, Ana Clara, como sócia das empresas do grupo, investigadas por suspeita de transações financeiras ilegais no Estado. Veja também: Temer pede 'conciliação' para resolver crise Servidor acusa Agaciel e Zoghbi PSDB vai ao Conselho de Ética contra Sarney pela 4ª vez Corregedoria virou cabide de empregos Deputados receberam convite Presidente de conselho desdenha opinião pública Senado avalia voto de censura a Lula Pizzaiolos de ofício reclamam do presidente ESPECIAL MULTIMÍDIA: Entenda os atos secretos e confira as análises  Galeria: vista aérea da casa particular de José Sarney na Península dos Ministros   Confira a lista dos 663 atos secretos do Senado  O ESTADO DE S. PAULO: Senado acumula mais de 300 atos secretos  O ESTADO DE S. PAULO: Neto de Sarney agencia crédito no Senado  No dia anterior, Fernando já havia sido indiciado pelos mesmos crimes e mais formação de quadrilha e direção de instituição financeira irregular. O depoimento da empresária, na Superintendência da Polícia Federal do Maranhão, em São Luís, durou mais de duas horas e seu teor não foi divulgado, mas Teresa teria entrado em contradição em vários momentos, levando o delegado Márcio Anselmo a fazer o indiciamento. Além de Teresa, foi indiciada ontem Luiza de Jesus Campos, gerente da instituição financeira São Luís Factoring e Fomento Mercantil, empresa da família Sarney suspeita de ser pivô das irregularidades. O Estado tentou ouvir Tereza Murad, depois de seu depoimento na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Luís, mas ela não quis se manifestar.SAQUEA PF informou que hoje serão ouvidas mais quatro pessoas, de um total de 13 suspeitos de envolvimento no esquema. Outros indiciamentos poderão ocorrer. A investigação foi desencadeada a partir de um saque de R$ 2 milhões em espécie que Fernando realizou em 2006.Interceptações telefônicas com autorização judicial e documentos apreendidos pela polícia mostram que o dinheiro seria para financiamento da campanha de Roseana Sarney, irmã de Fernando, ao governo estadual. Os dois negam as acusações. Roseana perdeu a eleição, mas assumiu o cargo há cinco meses com a cassação do mandato do então governador Jackson Lago (PDT), pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE). Por enquanto, segundo a PF, a governadora ainda não figura no rol de investigados, que já somam 13 pessoas. Além de Fernando, a Polícia Federal indiciou até agora outras três pessoas acusadas de ligação com as empresas e as irregularidades. São elas Walfredo Dantas (falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro), Marcelo Aragão (falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro) e Thucidides Frota (falsidade ideológica e formação de quadrilha).ESQUEMAA PF abriu cinco inquéritos para investigar as irregularidades atribuídas à família Sarney no Maranhão, tendo Fernando como cabeça do suposto esquema. Os mais avançados são os que envolvem os negócios das empresas dirigidas por Fernando e a mulher. Uma delas, a São Luís Factoring e Fomento Mercantil, está na origem da operação. O filho de Sarney é apontado nas investigações como chefe de um esquema montado para desviar dinheiro e manipular licitações, por meio do tráfico de influência.As investigações começaram em fevereiro de 2007 a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda (Coaf), que apontou no software das "movimentações atípicas" o saque de R$ 2 milhões feito por Fernando. No mesmo período, o Coaf também alertou para transações envolvendo uma factoring do grupo cujo endereço é o mesmo do organização Mirante - que integra o complexo de comunicação do clã Sarney.A Operação Boi Barrica resultou em cinco diferentes inquéritos, que apuram crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência, além de corrupção em setores do governo federal comandados por apadrinhados de Sarney.

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