PF indicia Mercadante e outros 6 por dinheiro de dossiê

A Polícia Federal de Mato Grosso indiciou cinco acusados de participar da tentativa de compra do dossiê criado para comprometer as campanhas eleitorais de José Serra (governador eleito de São Paulo) e Geraldo Alckmin (ex-candidato à Presidência). Conforme o Estado antecipou, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o então tesoureiro da campanha petista ao governo de São Paulo, José Giácomo Baccarin, foram indiciados por crime eleitoral. Os petistas Gedimar Passos (advogado), Valdebran Padilha (empreiteiro) e Hamilton Lacerda (ex-assessor de Mercadante) foram indiciados por lavagem de dinheiro. A PF não conseguiu enquadrar os outros três ?aloprados? - segundo definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - em nenhum crime, apesar de elementos que evidenciaram a participação de Jorge Lorenzetti (ex-coordenador da equipe de inteligência da campanha presidencial petista), Oswaldo Bargas (integrante da campanha de Lula) e Expedito Veloso (ex-diretor do Banco do Brasil) no episódio. O delegado responsável pelo inquérito, Diógenes Curado Filho, descartou também o crime de formação de quadrilha, pois não ficou comprovada a ?associação estável e permanente de pessoas para a realização de mais de um delito?. Após 96 dias de investigação, Curado concluiu que Lacerda, ex-coordenador de comunicação da campanha de Mercadante, é o responsável pela entrega de R$ 1,75 milhão (R$ 1,168 milhão e US$ 248 mil) aos emissários petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos, presos com o dinheiro em 15 de setembro em um hotel de São Paulo. Lacerda foi flagrado por câmeras de circuito interno do hotel carregando malas. Mesmo com mais de mil quebras de sigilo telefônico, um milhão de movimentações bancárias analisadas e a tomada de 29 depoimentos no inquérito, a polícia não conseguiu apurar a origem do dinheiro utilizado na negociação do dossiê contra os tucanos, fornecido pelos empresários Luiz Antonio Vedoin e Darci Vedoin, chefes da máfia dos sanguessugas. A hipótese de que parte do dinheiro teve origem nas bancas de jogo do bicho não ficou plenamente comprovada. Diante da constatação de que o montante em reais não passou pelo sistema bancário, e avaliando que Mercadante poderia ser beneficiado eleitoralmente pela divulgação de informações contra políticos do PSDB, a PF crê que parte do dinheiro utilizado na negociação é oriundo de caixa dois do diretório paulista do PT. Quantos aos US$ 248 mil apreendidos, o relatório final do inquérito informa que saíram de Miami (EUA), passaram por um banco alemão e pelo Sofisa, antes de chegar à casa de câmbio Vicatur, na Baixada Fluminense, onde foram retirados por meio de operações realizadas por laranjas. Perícia demonstrou que seis boletos de vendas da Vicatur eram equivalentes aos valores do montante apreendido. ?Transações que levaram à mesma somatória no período de negociação do material não podem ser tratadas como mera coincidência?, afirmou o superintendente da PF em Mato Grosso, Daniel Lorenz. Além dos cinco indiciados desta sexta-feira, 22, os donos da Vicatur, Fernando Ribas e Sirlei Chaves, foram acusados, em outubro, por lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional. Lorenz informou que a Polícia Federal vai instaurar outros inquéritos para apurar condutas tipificadas na lei de crimes contra o sistema financeiro.

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