PF indicia mais um ex-deputado na máfia dos sanguessugas

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira o ex-deputado Ricarte de Freitas (PTB-MT) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, no inquérito que investiga a máfia dos sanguessugas. Agora já são 33 os indiciados por envolvimento no esquema de compra de ambulâncias superfaturadas com recursos de emendas de parlamentares, mediante propina, de um total de 84 inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme a investigação da PF, Ricarte seria um dos sanguessugas mais ativos, tendo embolsado cerca de R$ 280 mil do esquema. Relacionado pela CPI dos sanguessugas na lista de suspeitos de envolvimento com a máfia, o ex-parlamentar negou todas as denúncias. Ele tentou a reeleição no ano passado, mas não conseguiu. O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, no entanto, nomeou Ricarte como secretário do escritório de representação do Estado em Brasília.Em depoimento no inquérito e perante a CPI, o empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia, informou que o ex-parlamentar tinha com sua empresa, a Planam, uma espécie de conta corrente para desconto de cheques de factoring. Era assim, segundo Vedoin, que ele recebia sua comissão de 10% por emenda aprovada para compra de ambulâncias do grupo Planam.Como recompensa por suas emendas, Ricarte teria recebido também um automóvel Fiat Ducato, no valor de R$ 45 mil, devolvido depois porque "pulava muito", conforme Vedoin. Mais adiante, o ex-deputado teria recebido um Hilux SW, da Toyota.Nenhum dos 33 indiciados se reelegeu nas últimas eleições, mas entre os 51 inquéritos restantes há oito parlamentares que renovaram seus mandatos.Inocentados pela CPIEsses continuarão sendo processados no STF - o cargo lhes dá direito a foro privilegiado - e os que não têm mais mandato serão julgados na Justiça de primeiro grau devido à perda de foro.As investigações da PF não estão poupando nem os parlamentares inocentados pela CPI. Três deles, Tetê Bezerra (PMDB-MT); Dr. Heleno (PSC-RJ) e Jefferson Campos (PTB-SP), acabaram sendo indiciados. Todos os demais já estavam no rol dos listados pela CPI como suspeitos de ligação com a máfia. A PF também encontrou elementos para indiciar os ex-deputados João Correia (PMDB-AC) e Celcita Pinheiro (PFL-MT) - absolvidos em julgamento do Conselho de Ética da Câmara.Entenda os sanguessugasA Polícia Federal descobriu, em maio do ano passado, esquema de fraude em licitações para compra de ambulâncias com verba do Ministério da Saúde. O esquema era comandado pela empresa Planam, de Mato Grosso, da família Vedoin (Luiz Antonio e seu pai, Darci), e envolvia parlamentares e funcionários do Ministério da Saúde.O grupo fazia contato com as prefeituras do País para oferecer entrega de ambulâncias com maior rapidez sem ter de passar pelos trâmites normais. Se o prefeito concordasse, a quadrilha negociava com assessores de parlamentares a apresentação de emendas individuais ao Orçamento da União para liberar o dinheiro. Assim que fossem liberados os recursos, o grupo manipulava a licitação e fraudava a concorrência usando empresas de fachada. Dessa maneira, os preços da licitação eram superfaturados, chegando a ser até 120% superiores aos valores de mercado. E o ´lucro´ era dividido entre os envolvidos no esquema, inclusive parlamentares. Segundo a Polícia Federal, a organização negociou o fornecimento de mais de mil ambulâncias em todo o País. E a investigação do Ministério Público levantou prejuízos em torno de R$ 110 milhões aos cofres públicos. Assim, foram denunciados ex-deputados federais, um ex-senador e assessores parlamentares, além de outros servidores públicos. Uma CPI foi aberta para apurar o caso e encontrou indícios contra 69 deputados e três senadores. Dois dos deputados acusados renunciaram. Dos 67 restantes, apenas cinco conseguiram se reeleger. Os três senadores - Ney Suassuna (PMDB-PB), Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT) - foram absolvidos pelo Conselho de Ética. E a maioria dos deputados sanguessugas não deverá sequer ser julgada.

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