PF indicia Dantas e mais 9 acusados por formação de quadrilha

Todos também foram indiciados por gestão fraudulenta; entre os acusados, está a irmã do banqueiro, Verônica

Ricardo Leopoldo, de O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2008 | 20h07

A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira, 18, o banqueiro Daniel Dantas  mais nove pessoas ligadas ao Opportunity por formação de quadrilha e gestão fraudulenta.O banqueiro  deixou a PF  após mais de cinco horas de depoimento. Mesmo cercado por jornalistas, ele não falou com a imprensa, como das outras vezes, e entrou direto no carro que o aguardava. O advogado de Dantas, Nélio Machado, ficou na sede da PF para dar entrevista coletiva a jornalistas. Esta é a terceira vez que a PF tenta ouvir o banqueiro, acusado na Operação Satiagraha.   Veja também: Ouça trechos da reunião que decidiu a saída do delegado  Juiz aceita denúncia e Daniel Dantas vira réu por corrupção ativa Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel Dantas    Além de Dantas, também foram indiciados Verônica Dantas (irmã do banqueiro), Carlos Bernardo Torres Rodemburg (sócio e vice-presidente do Banco Opportunity), Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomáz, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Maria Amália Delfin de Melo Coutrin, Dório Ferman e Danielle Silbergleid Ninio.   O banqueiro e outros nove diretores do Opportunity permaneceram na Polícia Federal por cerca de seis horas, mas por orientação da defesa, permaneceram em silêncio e não responderam às perguntas formuladas pelo delegado da PF Protógenes Queiroz. Todos deixaram a sede da PF por volta das 20 horas, sem conceder entrevistas aos repórteres.   Daniel Dantas que, na semana passada, foi preso duas vezes, por determinação do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal em São Paulo, e em ambas situações foi solto por meio de habeas- corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, foi acusado por corrupção ativa, gestão fraudulenta e formação de quadrilha.   Operação Satiagraha   Dantas seria o líder de uma das duas organizações investigadas pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, especializada no desvio de verbas públicas e que teria criado o Opportunity Fund, uma offshore localizada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. De acordo com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, Rodrigo de Grandis, esse fundo movimentou quase US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004.   A operação mobilizou 300 agentes federais e foi desencadeada às 5h30 em São Paulo, Rio, Bahia e no Distrito Federal para o cumprimento de 24 ordens de prisão e 56 mandados de busca e apreensão. O esquema teria movimentado US$ 1,9 bilhão ilicitamente.   Junto com Dantas, foram presos na terça o megainvestidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e mais 14 pessoas. "A organização tinha como líder e cabeça um famoso banqueiro, Dantas. Identificamos outra organização, comandada por Nahas, voltada ao mercado de capitais e tendo como alvos principais o desvio de recursos públicos e riquezas do País. Uma situação muito perniciosa para o País, que nos deixa assustados com o nível de intimidação e poder de corromper."  

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