PF indicia Collor e irmão por envolvimento no dossiê Cayman

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Fernando Collor de Mello, seu irmão Leopoldo e outras 14 pessoas pelo envolvimento na negociação do dossiê Cayman. O documento acusava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seus ministros da Saúde, José Serra, e das Comunicações, Sérgio Motta, além do governador Mário Covas, de terem dinheiro em contas bancárias de paraísos fiscais.Collor e Leopoldo foram enquadrados na lei de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Se forem condenados, podem pegar penas de 2 a 10 anos de prisão.No relatório que está sendo concluído esta semana pelo delegado federal Paulo de Tarso Teixeira, o ex-presidente e seu irmão são acusados de terem enviado US$ 1,2 milhão para o exterior para efetuar a compra do dossiê. Após sua divulgação, foi comprovado que era falsificado.Os autores da fraude, os empresários João Roberto Barusco, Ney Lemos dos Santos e Luiz Cláudio Ferraz da Silva, foram presos na semana passada em São Paulo, acusados de envolvimento com carros importados roubados e falsificação de documentos.Além dos irmãos Collor, a PF indiciou André e Marta Volpato, citados no inquérito como laranjas do ex-presidente, além de Raimundo Nonato Lopes Pinheiro, que fazia o mesmo trabalho para Leopoldo. Ele teria sido a pessoa que levava o dinheiro para o exterior, via Uruguai. O pastor Caio Fábio de Araújo e o empresário Oscar de Barros também foram indiciados.Segundo o delegado Teixeira, o caso praticamente está se encerrando. A conclusão é que o dossiê, além de falso, proporcionou a possibilidade de alguns dos envolvidos enviarem dinheiro para o exterior de forma ilegal.?Vamos concluir o caso esta semana e encaminhar o inquérito para a Justiça?, afirmou o delegado, que trabalha na investigação desde 1998.O caso teve início durante o processo eleitoral no qual Fernando Henrique foi eleito pela segunda vez. Um dossiê vazou pela imprensa e acusava o ex-presidente de ter contas no exterior em sociedade com Covas, Serra e Motta ? que morreu em abril de 1998 ?, o que ficou comprovado não ser verdadeiro.O documento chegou a ser oferecido ao então candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. Aconselhado pelo hoje ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, Lula se recusou a usar o dossiê na campanha, pelo fato de não haver a garantia da autenticidade do documento. Veja como a polícia chegou aos autores do dossiê Cayman

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