PF inclui irmão de Renan e mais dois em relatório da Navalha

Documento foi encaminhado ao procurador-geral da República nesta sexta-feira; se indícios de crime forem consistentes processo poderá ser aberto no STF

Agencia Estado

18 de junho de 2007 | 09h40

A Polícia Federal enviou nesta sexta-feira ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, relatório com indícios de envolvimento de três parlamentares com a máfia das fraudes em obras públicas, desmantelada pela Operação Navalha. Entre eles está o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado ao Conselho de Ética sob a acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior. Os outros dois são os deputados federais Maurício Quintela (PR-AL) e Paulo Magalhães (DEM-BA), sobrinho do senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA). Por meio de nota, Magalhães negou envolvimento com as irregularidades. Quintela disse que conhece o empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, pivô do esquema, mas disse que jamais recebeu benefícios dele. Procurado em seu gabinete, Olavo não foi localizado para comentar a medida adotada pela PF.As evidências foram levantadas na análise dos documentos apreendidos em maio na sede da construtora Gautama e de outros envolvidos no esquema, durante a operação. Os dados relativos a Magalhães só seguirão na segunda-feira porque foram identificados novos elementos contra ele nesta sexta-feira e que ainda dependem de checagem antes de serem anexados aos autos. Caso considere consistentes os indícios de crime apurados pela PF, o procurador-geral pedirá abertura de processo contra os três no Supremo Tribunal Federal (STF). Junto com o relatório, de quatro páginas, a PF anexou um CD com gravações de conversas envolvendo os parlamentares e documentos que os ligam à quadrilha, que desviava recursos público mediante fraudes sistemáticas em licitações em seis Estados, corrupção de autoridades, inclusive governadores e secretários estaduais, superfaturamento e medições fraudulentas de obras não realizadas.Os dados da PF, caso acatados pelo Ministério Público, abrirão espaço para uma devassa patrimonial, bancária e fiscal de Olavo, suspeito de ser chefe das ações da quadrilha em Alagoas, por intermédio de um grupo de operadores de sua confiança, colocados em postos-chave do governo estadual desde a década de 90, sobretudo a Secretaria de Infra-Estrutura. A PF levantou também evidências de que Olavo estaria por trás de um esquema de uso de fazendas em nome da família para lavar dinheiro de origem ilícita.Operação NavalhaA Operação Navalha prendeu, em 17 de maio, integrantes de uma quadrilha que fraudava licitações de obras do governo - incluindo projetos do programa Luz Para Todos. O esquema planejava atacar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Houve 48 prisões e apreensão de documentos em nove Estados e no Distrito Federal. Segundo a PF, de 2003 a 2006, o esquema movimentou R$ 170 milhões. O esquema chegou ao nível federal, com a suspeita de envolvimento do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, que pediu demissão do cargo mas nega as acusações . As investigações tiveram início em novembro de 2006.

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