PF faz operação em três Estados e prende 42 por fraudes em licitações

Acusado por formação de quadrilha, entre outros crimes, um grupo composto por 42 políticos, funcionários públicos, empresários e profissionais liberais foi preso ontem em três Estados, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Em um jogo de cartas marcadas, os acusados ganhavam a maioria das licitações para serviços públicos nas prefeituras de Dourados, Ponta Porã e Naviraí, segundo a Polícia Federal.As investigações começaram há dois anos quando o Ministério Público Federal denunciou os suspeitos baseado em levantamento sobre o sucesso empresarial de Sizuo Uemura e da esposa, Helena Uemura, principalmente no setor de serviços funerários. Um dos alvos da operação foi a concessão do serviço de água potável de Dourados em que a família Uemura seria beneficiada. O serviço foi municipalizado no mês passado de acordo com projeto aprovado pelos vereadores. "Já havia um esquema montado para dar a concessão para a família Uemura", informa nota da PF.Uemura e Helena, os filhos Eduardo e Dinho, além de dois funcionários da Pax Empresa Funerária foram indiciados. Entre os servidores públicos de Dourados acusados estão o secretário de Saúde, Sandro Bárbara, o vice-prefeito Carlos Cantor (PR), além dos assessores especiais do prefeito Ari Artuzi, Jorge Dauzacker e Márcia Fagundes.O ex-secretário de Saúde no governo Zeca do PT, João Paulo Esteves, também foi preso. Da cidade de Naviraí, foi preso o presidente da Câmara de Vereadores, José Gallo (PDT), e de Ponta Porã, o vice-prefeito Eduardo Campos (DEM). "Os servidores públicos cooptados pela organização criaram uma estrutura criminosa a fim de obter benefícios em diversos contratos, em prejuízo à livre concorrência", informa nota distribuída pela PF.Batizada de Operação Owari (ponto final, em japonês), a ação terminou no indiciamento dos acusados por formação de quadrilha, exercício ilegal de atividade financeira, agiotagem, crimes contra a ordem econômica e o sistema financeiro, fraude à licitação e corrupção.Na sede da PF, em Dourados, os advogados da maioria dos acusados alegaram desconhecer por enquanto a situação de seus clientes.

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