PF faz nova ação contra lavagem de dinheiro

A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Sorte Grande para desarticular suposto esquema de sonegação de contribuições previdenciárias e tributos no valor de R$ 896 milhões. Segundo a PF, o alvo da investigação são empresas do Sistema Integrado Meio Norte - conglomerado do Piauí que reúne emissoras de comunicação e outras atividades comerciais -, controlado pelo empresário Paulo Delfino Guimarães, o PG.

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2014 | 02h03

Investigadores informaram que Fernando Sarney, filho mais velho do senador José Sarney (PMDB-AP), mantém ligações próximas e é sócio de PG em alguns negócios, mas não está entre os suspeitos.

A operação foi baseada em Teresina (PI) e se estendeu para o Maranhão e São Paulo, onde Guimarães depôs. Outros 12 investigados foram ouvidos pela PF. A apuração mira, ainda, a prática de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em associação criminosa.

Foram realizadas buscas e apreensões de computadores e documentos em escritórios de empresas do grupo e na residência de PG e de uma filha dele. A Sorte Grande mobilizou 85 policiais federais, além de 18 auditores e quatro analistas tributários da Receita Federal.

Segundo a PF, as investigações, que tiveram início em 2006, demonstraram que o grupo utilizou-se de laranjas e de offshores sediadas no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas para realizar "sucessivas mudanças nos quadros societários das empresas devedoras do fisco para afastá-las de seus verdadeiros proprietários".

A PF constatou que por meio desse expediente, Guimarães promoveu uma verdadeira "blindagem patrimonial".

O esquema desmontado pela Sorte Grande teria transferido ativos para novas pessoas jurídicas, também constituídas com laranjas e offshores, deixando as devedoras "desmontadas", apenas com as dívidas.

Os investigadores destacam que, para evitar o efetivo pagamento dos débitos tributários e impedir que o esquema fosse descoberto, os suspeitos aderiram a programas de recuperação fiscal, no âmbito da Receita, arrolando, em garantia, bens de baixo custo - cadeiras e aparelhos de ar-condicionado -, conseguindo, assim, parcelar os valores devidos, "cujo pagamento integral nunca será concretizado".

'Grande equívoco'. O advogado Jurandir Porto, que defende Guimarães, reagiu às suspeitas. "Guimarães prestou depoimento e saiu (da PF). Foi apenas uma condução para esclarecimentos. Tudo é hipotético, sem provas. Baseiam-se em elementos sem nenhuma sustentação. Não há absolutamente nada contra Guimarães. Há um grande equívoco da PF. Não há sonegação, não há lavagem. Essas empresas estão entre as maiores contribuintes de impostos do Piauí." Porto afirmou que Fernando Sarney não é sócio de PG no Meio Norte.

Sarney não foi localizado.

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