PF faz busca em casa de secretário do governo do DF

A Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão, nos últimos dois dias, nas residências de empresários e autoridades do governo do Distrito Federal - atual e anterior - ligadas a uma máfia acusada de desvio de recursos públicos na capital do País. Entre os alvos estão Durval Barbosa, secretário extraordinário de Assuntos Institucionais do atual governo, e o bicheiro Messias Ribeiro Neto, ligado ao empresário de jogos Carlinhos Cachoeira, pivô do primeiro escândalo do governo Lula, que derrubou, em 2004, o ex-assessor Assuntos Parlamentares da Presidência, Waldomiro Diniz.As diligências - sete em Brasília e duas em Aparecida de Goiânia (GO) - fazem parte da operação Megabyte. Ex-delegado da polícia civil, corporação onde tem larga influência, irmão do deputado distrital Milton Barbosa (PSDB), Durval seria o líder do esquema, conforme as investigações do Ministério Público do DF e Territórios. Ele é egresso do governo anterior, do ex-governador Joaquim Roriz (2002-2006), quando ocupou a presidência da Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan), onde as irregularidades teriam ocorrido. A companhia, segundo as investigações, teria sido usada para desviar dinheiro público mediante repasses ilegais de dinheiro do orçamento do GDF para o Instituto Candango de Solidariedade (ICS), em 2005 e 2006. O Ministério Público apontou malversação em mais de R$ 900 milhões. Parte do dinheiro era distribuída entre os membros da quadrilha. As fraudes são apuradas por uma força-tarefa do Ministério Público local. A PF entrou no caso, a pedido do Tribunal de Justiça do DF e Territórios, ante o risco de vazamento das investigações, tamanho o poder e influência de Durval na polícia e na política locais. O governador José Roberto Arruda (DEM), que abrigou Durval na equipe por força de acordo político, encaminhou a denúncia à Corregedoria do GDF e informou, por meio da assessoria, que vai aguardar o resultado das investigações para decidir que medida adotará. Até lá, ele disse que manterá Durval no cargo. O secretário mandou dizer, também pela assessoria, que não comentará a acusação, alegando que a investigação corre em segredo de Justiça. As buscas foram realizadas na residência e no gabinete de trabalho do secretário.

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