PF faz busca em casa de diretor dos Correios no Rio

Autoridades investigam desde 2013 suposta fraude envolvendo a gerência de Saúde da estatal e que já levou ao afastamento do executivo

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 16h51

Atualizado às 22h06

Rio - A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta quarta-feira, 19, mandados de busca e apreensão no Hospital Espanhol, no centro do Rio, e na casa de oito acusados de participar de um esquema de fraude na Gerência de Saúde dos Correios no Rio de Janeiro.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF) e a PF, que investigam o caso desde 2013, o esquema operou de agosto de 2011 a abril de 2013 e causou prejuízo de mais de R$ 7 milhões à estatal.

Na última sexta-feira (14) a PF já havia cumprido mandados de busca e apreensão na casa do diretor regional dos Correios no Rio, Omar de Assis Moreira, que foi afastado do cargo, e no Hospital Balbino.

Segundo o delegado da PF Lorenzo Martins Pompílio da Hora, responsável pelas investigações, "foram obtidos fartos elementos de prova relacionados ao esquema. O trabalho continua com a análise do material arrecadado".

Segundo a investigação, o esquema era liderado por Daniel de Melo Nunes e Carlos Alberto Alonso, que negociavam privilégios para hospitais no Rio de Janeiro, com o aval de Omar e do ex-gerente de Saúde da estatal, Marcos da Silva Esteves. Esses hospitais recebiam em um mês pagamentos que demorariam até três meses. Em troca, as unidades de saúde pagavam propina aos funcionários dos Correios.

A investigação concluiu ainda que a quadrilha superfaturou o pagamento de procedimentos cirúrgicos e elevou os valores de diárias e taxas pagas a alguns hospitais, bem como pagou por serviços não prestados. Uma cirurgia superfaturada custou quase R$ 1 milhão.

O MPF denunciou Omar, Marcos e outros sete pessoas. "O Judiciário já determinou o afastamento do cargo de três servidores públicos e determinou o bloqueio dos bens de todos os denunciados. As perspectivas para que os recursos desviados sejam recuperados são boas", afirmou o procurador da República Sérgio Luiz Pinel Dias, autor da denúncia.

Em nota, os Correios afirmam que "o assunto já vem sendo apurado pela empresa, com apoio da PF, desde 2013". O texto continua: "Atualmente afastado por determinação judicial, o próprio diretor regional da empresa no Rio (...) foi quem solicitou, em junho de 2013, a investigação (...). Moreira também instaurou processo de sindicância interno e constituiu grupo de trabalho para apoiar a apuração da PF. Denúncia sobre o caso foi encaminhada ao Ministério Público Federal, em setembro de 2013, pela Administração Central dos Correios em Brasília. A sindicância interna a respeito dos fatos, conduzida atualmente por órgão corregedor dos Correios em Brasília, está em fase final e é acompanhada pela Controladoria Geral da União".

A empresa afirma ter tomado "todas as providências necessárias para a completa apuração". "O empregado Marcos Esteves trabalhava na área de saúde desde 2009 (anteriormente, portanto, à nomeação de Omar de Assis Moreira como diretor regional) e foi afastado das atividades na empresa, tendo o contrato de trabalho suspenso", afirmam os Correios.

A reportagem procurou a assessoria do Hospital Espanhol na tarde de hoje, mas até as 18h15 não havia recebido resposta. Os funcionários dos Correios denunciados pelo MPF não foram localizados.

 

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