PF faz busca e apreensão em ONG ligada ao programa Segundo Tempo

Presidente da entidade foi um dos coordenadores da campanha para deputado estadual de Wadson Ribeiro (PCdoB), braço direito do ex-ministro do Esporte Orlando Silva

Marcelo Portela, correspondente de O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2011 | 18h20

BELO HORIZONTE - A Polícia Federal apreendeu nesta quinta-feira, 10, documentos, discos rígidos de computadores, CDs e DVDs da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Instituto Cidade em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Além da sede, a PF também apreendeu material na casa do presidente da entidade, José Augusto da Silva, e em uma fábrica que fornecia material esportivo para o Ministério do Esporte também ligada ao Instituto Cidade.

 

No ano passado, José Augusto foi um dos coordenadores da campanha para deputado estadual de Wadson Ribeiro (PCdoB), braço direito do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que deixou o cargo após série de denúncias de desvio de recursos em convênios, principalmente do programa Segundo Tempo. José Augusto foi intimado para prestar depoimento no inquérito ainda nesta sexta-feira, 11.

 

O material encontrado nos três endereços foi suficiente para encher 16 malotes e, segundo o chefe da PF em Juiz de Fora, delegado Cláudio Dornelas, foi apreendido com autorização da Justiça para evitar que possíveis provas de desvio "se perdessem no tempo". A instituição instaurou inquérito para apurar suspeita de desvio de recursos do Segundo Tempo por parte do Instituto Cidade, que recebeu nos últimos anos aproximadamente R$ 9,5 milhões do Ministério do Esporte.

 

De acordo com o delegado, há suspeita de uso de recibos fraudulentos, notas fiscais frias e superfaturamento de produtos comprados com a verba federal e a polícia investiga a possibilidade de os recursos terem sido desviados para abastecer campanhas eleitorais do PCdoB. "Há indícios de que recursos não foram aplicados no Segundo Tempo", disse o policial.

 

Ainda segundo Dornelas, hoje deve ser formada uma força-tarefa de peritos contábeis da PF para analisar a documentação e a polícia não descarta a possibilidade de realizar novas buscas. Com relação à suposta participação de outras pessoas no esquema, o delegado afirma que todos que forem citados nos documentos ou depoimentos serão chamados para serem ouvidos.

 

Além de agentes da PF, as buscas na fábrica também tiveram a participação de auditores do Ministério do Trabalho, já que os funcionários são contratados por meio de uma cooperativa, mas o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da entidade não está registrado na Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg) e será investigada a legalidade dos contratos.

 

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