PF executa 11 mandatos de busca e prende 3 suspeitos no caso de desvio de verbas do Banrisul

Força tarefa busca investigar as suspeitas de que os R$ 11 milhões estariam sendo usados para financiar campanhas eleitorais

Wálmaro Paz, de O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 17h21

PORTO ALEGRE - Uma força tarefa da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, do Ministério Público Estadual (MPE) e do Ministério Público de Contas (MPC), executou na manhã desta quinta-feira (02) 11 mandados de busca e apreensão em agências do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), nas agências de publicidade DCS e SLM e nas residências de alguns diretores que estariam envolvidos no desvio de R$ 10 milhões dos cofres do banco. Em entrevista coletiva o superintendente da Polícia Federal gaúcha, delegado Ildo Gasparetto disse não descartar a possibilidade de o dinheiro desviado estar sendo usado para financiamento de campanhas: "esta possibilidade está sendo investigada, mas ainda não podemos afirmar nada" - disse ele.

 

Gasparetto ainda adiantou que se for descoberta a utilização deste dinheiro para propaganda eleitoral o fato será comunicado ao Ministério Público Eleitoral. Era uma quadrilha que cobrava uma propina em torno de 30% sobre os serviços contratados pelo departamento.

 

Durante a operação foram presos dois empresários e o diretor de Marketing do Banrisul Valnei Fehlberg; o diretor da SLM, Gilson Stork ; e da DCS, Armando D'Elia Neto. O Banrisul não quis se pronunciar sobre o caso.

 

Os policiais encontraram nas residências dos acusados a importância de R$ 2 milhões em reais, dólares e euros, cuja procedência não foi explicada. Os acusados foram detidos sob as acusações de peculato - para o diretor do banco - lavagem de dinheiro, descaminho e evasão de divisas.

 

A "Operação Mercari", como foi batizada a força tarefa, tinha, segundo o delegado um modus operandi muito parecido com o utilizado pelos envolvidos na "Operação Rodin",que investigou em 2009 o desvio de R$ 40 milhões dos cofres do DETRAN gaúcho e cujo processo, com nove réus, continua tramitando sob sigilo na Justiça Federal e motivou o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB), negado pela maioria da Assembleia Legislativa no ano passado.

 

Nas batidas realizadas na manhã de ontem trabalharam 76 policiais federais acompanhados dos promotores Geraldo da Camino do MPC e Tiago Conceição da Vara da Fazenda do MPE. A operação foi comandada pelo delegado regional executivo José Antônio de Oliveira. Durante a coletiva os delegados foram evasivos para "não prejudicar as investigações", mas confirmaram a prisão do diretor de marketing do banco Valnei Fehlberg. Segundo Gasparetto este diretor do banco já havia sido preso há cerca de 60 dais portando dólares, num aeroporto de São Paulo. "Foi solto com base em um habeas corpus".

 

Ele explicou que as investigações iniciaram em outubro do ano passado a partir de denuncias feitas ao MPE e MPC. Como há os crimes de evasão de divisa, sonegação fiscal da esfera federal os promotores procuraram a Policia Federal para a formação da Força Tarefa. Gasparetto informou ainda que o prazo para o final das investigações é de 15 dias.

 

O esquema se daria através de superfaturamento na produção de ações de marketing contratadas junto a agências, as quais eram terceirizadas a empresas que, por sua vez, subcontratariam os reais executores dos serviços a preços muito menores do que aqueles cobrados do banco.

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