PF entrega relatório sobre líder do PMDB

Depois de incluir o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) no suposto esquema BNDES, a Operação Santa Tereza aponta agora para o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Relatório que a Polícia Federal encaminhou ontem à Procuradoria da República dedica capítulo exclusivo ao deputado peemedebista e a seu chefe de gabinete, Wellington Ferreira da Costa.A PF não faz acusações ao parlamentar - e deixa a cargo da procuradoria tomar a decisão sobre uma eventual investigação -, mas informa que o lobista João Pedro de Moura, amigo e braço direito de Paulinho, circulava pelo gabinete 539 do Anexo IV, ocupado por Alves.Segundo a PF, provavelmente com autorização de Wellington, a quem chama de "dr. Wellington", o lobista fazia uso da estrutura do gabinete 539, inclusive de seus telefones, para tratar de pendências relativas ao BNDES e a operações afetas ao Ministério das Cidades.Grampo telefônico pegou Moura, no dia 26 de fevereiro, às 17h13, ligando para a Progus Consultoria - reduto da organização, afirmam os investigadores. O lobista conversou com o empresário Marcos Mantovani, diretor da Progus, réu do processo judicial sobre o BNDES.Moura pediu a Mantovani e-mail com a relação de cidades onde ele e seus parceiros planejavam agir. "Importante destacar que João Pedro, neste momento, está dentro do gabinete 539 do Congresso Nacional", ressaltou a PF no relatório.Fotos de Moura deixando a sala do líder do PMDB com uma mochila às costas ilustram o documento. A PF suspeita que é a mesma mochila que o lobista havia deixado no gabinete de Paulinho da Força na manhã de 13 de fevereiro.A PF tem informações de que Moura fazia reuniões no gabinete do líder do PMDB. Os federais espionaram o lobista em viagem que ele fez a Brasília, onde desembarcou na noite de 12 de fevereiro. Ao chegar ao hotel, Moura telefonou para uma pessoa e marcou "para amanhã, às 9 horas, com o chefe de gabinete do Henrique". A seu interlocutor, o lobista diz que está no Mercure Líder e que "vai jogar caxeta na casa do Paulinho"."Não conheço (Moura), não o recebi, nunca me encontrei, nunca falei nem por telefone, não sei quem é", afirmou Henrique Alves, por meio de sua assessoria. Ele revelou despreocupação com o relatório. "Que a polícia investigue, que o Ministério Público investigue. Se acham que têm que investigar, que investiguem."

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