PF entrega ao Senado laudo 'conclusivo' sobre papéis de Renan

Senador terá cinco dias para defesa; previsão é que processo seja julgado no fim de setembro

ROSA COSTA, Agencia Estado

21 de agosto de 2007 | 20h46

Autoridades da Polícia Federal entregaram ao primeiro-vice-presidente da Mesa Diretora, Tião Viana (PT-AC) o resultado da perícia feita em documentos apresentados pelo presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ao Conselho de Ética, onde correm três processos contra ele. Com os documentos, Renan pretende comprovar que faturou R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com venda de gado em Alagoas, o que significaria, no entender dele, que, ao contrário do que afirma a revista "Veja", não pagou despesas pessoais com dinheiro de um lobista de uma empreiteira.  Veja também:  Cronologia do caso Renan    Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Veja especial sobre o caso Renan 'Com algema, ou sem algema?', ironiza Renan sobre acareação Para relator, novos extratos de Renan não mudam períciaViana envia a Tarso Genro novos documentos de Renan O relatório foi recebido pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), na presença de muitos senadores, e foi lacrado para ser entregue ao presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). "Perguntei aos peritos se o relatório é conclusivo, e eles responderam que sim", disse a jornalistas o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos membros do Conselho de Ética. O resultado da perícia mostra que o senador tinha renda para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso - com quem tem uma filha fora do casamento - mas não prova que todo o dinheiro saiu do seu bolso. Laudo deve revelar ainda inconsistências na evolução patrimonial de Renan e fragilidade nas notas e recibos, muitos emitidos por empresas inidôneas.  Os peritos do INC constataram ainda, na análise dos documentos, que a fortuna acumulada por Renan nos últimos anos não tem amparo nas suas rendas de parlamentar e pecuarista. A movimentação bancária dele no período de 2002 a 2006 está acima da renda declarada e o montante a descoberto não tem origem justificada. Os recibos e notas fiscais apresentados como defesa também não são suficientes para comprovar que Renan faturou R$ 1,9 milhão com a venda de gado no período. O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), informou que depois de receber o laudo dará cinco dias para Renan apresentar defesa. Em seguida, abrirá prazo para os relatores darem seu parecer. A previsão de Quintanilha é de que o processo possa ser julgado no fim de setembro. Se o conselho aprovar parecer pela cassação, ele seguirá para o plenário, onde precisará dos votos de 41 senadores, a maioria absoluta. Uma cópia do laudo será entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu inquérito sobre suspeitas de enriquecimento ilícito, uso de documentos falsos, prevaricação e crime financeiro. A perícia responderá a 30 quesitos formulados pelo conselho. Poucas são favoráveis ao senador, como o fato de que o preço do gado está dentro do valor de mercado e não há sinais de superfaturamento. Renan usou o senado mais uma vez para se defender nesta terça-feira, 21, e respondeu negativamente ao pedido para deixar a presidência da Casa enquanto é investigado no Conselho de Ética em três processos. "Não sairei porque a mera saída significaria compactuar com a maledicência", disse em resposta à provocação do líder do PSDB, senador Arthur Virgílio. Virgílio pediu mais uma vez nesta terça-feira para Renan deixar a presidência. Sobre a perícia que deve ser entregue ainda nesta terça-feira ao conselho pela Polícia Federal, afirmou que torce para seja técnica e seja mais um elemento para "mostrar a verdade".   (Com Reuters)

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