Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PF entrega a Cármen Lúcia relatório parcial sobre menções a ministros por Joesley e Saud

Diretor-geral da Polícia Federal saiu de audiência com a ministra afirmando que relatório é imparcial e que cabe a ela tornar informações públicas

Amanda Pupo, Fabio Serapião e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2017 | 17h38

BRASÍLIA - Diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia entregou nesta sexta-feira, 15, à presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia (STF), um relatório parcial da investigação aberta a pedido da ministra a respeito das menções de integrantes da Corte nos áudios entregues por Joesley Batista e Ricardo Saud ao Ministério Público Federal (MPF).

Depois da audiência com Cármen, que começou às 16h30 de sexta e durou cerca de meia hora, Segóvia afirmou que o relatório é “parcial” e que a ministra é quem deve tornar público as conclusões da investigação.

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“As conclusões da investigação parcial estão nas mãos da ministra Cármen Lúcia e tão logo haja uma análise ela deverá expor ao público quais são essas conclusões”, afirmou. O Estado adiantou na noite desta quinta-feira, 14, que o relatório deve descartar a ocorrência de crimes envolvendo as citações a ministros do Supremo feitas pelo empresário Joesley e pelo executivo Ricardo Saud.

Suspeitas. Em setembro, Cármen exigiu que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) fizessem uma “investigação imediata”, e com data definida para conclusão, sobre a situação. A determinação ocorreu após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deixou o cargo em 18 de setembro, determinar a abertura de investigação para apurar o caso. À época, Janot citou as suspeitas sobre ministros do STF.

A presidente do Supremo chegou a gravar um pronunciamento em vídeo no qual disse que a “dignidade institucional” do STF e a “honorabilidade de seus integrantes” foram agredidas “de maneira inédita na história do País”. “Impõe-se, pois, com transparência absoluta, urgência, prioridade e presteza a apuração clara, profunda e definitiva das alegações, em respeito ao direito dos cidadãos brasileiros a um Judiciário honrado”, afirmou Cármen à época.

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Nas mais de quatro horas de conversas gravadas, os interlocutores falam sobre “dissolver o Supremo” da mesma forma que, nas palavras de Joesley Batista, a Odebrecht “moeu” o Legislativo. No áudio, eles citam o nome de três ministros - Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia, mas não havia menção ou atribuição a algum tipo de crime. O acordo de delação dos executivos do Grupo J&F, após esse episódio, foi rompido por Janot.

Em entrevista ao Estado publicada no mês passado, Cármen prometeu apresentar o resultado das investigações à sociedade. “Eu não vou terminar o mês de dezembro sem voltar a esse assunto, porque, se alguém falou, alguém precisa me dar resposta. Até porque qualquer declaração teria de ser investigada. A investigação sobre ministro de Supremo tem de ser feita, porque não pode pairar... Não é uma névoa, não. É nenhuma gota de dúvida (pode pairar) sobre a correição, a licitude de todos os atos de ministros do Supremo Tribunal ou de qualquer juiz”, disse.

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