PF encontra dinheiro e armas em casa de irmão de Requião

Pelo Twitter, ex-governador do Paraná disse confiar no seu irmão e defendeu a ação de seu governo no porto

Evandro Fadel / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 15h24

A Polícia Federal encontrou R$ 140 mil em dinheiro e várias armas em uma casa que Eduardo Requião mantém no Rio de Janeiro. Eduardo é irmão do ex-governador do Paraná e senador eleito, Roberto Requião. A ação faz parte da Operação Dallas, que cumpriu 29 mandados de busca e apreensão e prendeu oito pessoas na quarta-feira, 19. Entre os presos, o ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Daniel Lúcio Oliveira de Souza, nomeado pelo ex-governador Roberto Requião (PMDB) para o período de outubro de 2008 a abril de 2010. Eduardo Requião ocupou o cargo entre 2003 e 2008.

 

A PF ainda aguarda os documentos de regularização das armas. Eduardo deve ser chamado a depor para explicar a origem do dinheiro, que não foi recolhido pela PF, pois a determinação judicial era apenas para documentos e computadores. Segundo informações, o ex-superintendente está nos Estados Unidos. O ex-governador Roberto Requião comentou durante toda a quarta-feira, 20, a operação no Twitter: "Não perdôo nem o pecador nem o pecado, confio no meu irmão. Dentro da lei tudo deve ser apurado".

 

Operação Dallas

 

Na quarta-feira, 20, a operação da Polícia Federal prendeu oito pessoas acusadas de crimes envolvendo o Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná. Outras duas apresentaram-se no dia seguinte. Seis dos acusados estariam envolvidos em esquema de desvio de cargas. Outros quatro, todos presos, são acusados de fraude em licitações, contratações irregulares de empresas e pedidos de propinas.

 

Contra o ex-superintendente, Daniel Lúcio Oliveira de Souza, e outros ex-funcionários do porto, pesa a acusação de que teriam recebido R$ 5 milhões para que uma empresa vencesse a licitação para a dragagem do porto, que foi posteriormente anulada. Souza também é suspeito de ser proprietário de uma empresa contratada para serviços emergenciais, que custariam R$ 70 mil, com impostos, mas teria recebido R$ 270 mil. Dele também seria uma empresa apresentada para realizar a limpeza do cais. Antes de assumir a superintendência da Appa, ele era diretor administrativo-financeiro da instituição. Souza foi detido no Rio de Janeiro. A defesa do ex-superintendente não foi localizada.

 

As investigações de desvio de cargas começaram há cerca de dois anos, após denúncias de exportadores à Receita Federal. A diferença no volume que deveria ter sido embarcado era percebida somente no destino, o que prejudicava os exportadores que recebiam menos valores, além de serem obrigados a pagar mais em seguro. "Muitas pessoas estavam tendo descrédito por embarcar soja no Porto de Paranaguá", disse o delegado da PF em Paranaguá, Jorge Luiz Fayad Nazário.

 

De acordo com a PF, uma das modalidades de atuação dos acusados era servir-se de um dos terminais do porto, cujo nome não foi revelado, para desviar as cargas. Normalmente, o exportador manda um porcentual a mais dos granéis para cobrir possível "quebra", o que se chama de retenção técnica. Após o embarque, os acusados estariam comunicando o exportador de que não teria havido sobras, mas, na verdade, apropriavam-se indevidamente daquele volume, que era vendido no mercado interno.

 

Também foi apurado que alterações na balança faziam com que o volume realmente embarcado fosse menor que o registrado. Segundo a polícia, outras vezes o desvio acontecia na própria esteira, que trazia os produtos de volta para o armazém. A estimativa da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, que atuaram de forma conjunta, é que o desvio pode ter chegado a 4 mil toneladas por safra, o que rendia ilegalmente cerca de US$ 2 a 3 milhões.

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