PF e Receita vão investigar assessores de Janene

Uma força-tarefa conjunta da Polícia e Receita Federal vai analisar documentos e o conteúdo dos computadores apreendidos quinta-feira no escritório do deputado José Janene (PP-PR), na residência de um casal de assessores dele, em Londrina, e em escritórios em São Paulo ligados à empresa Taha Administração e Construção, de propriedade de uma offshore localizada no Panamá e que já teve como sócio o megainvestidor Naji Najas. A análise, segundo o delegado da PF Gerson Marchado, deverá estar concluída dentro de quatro meses.A PF investiga a procedência e o destino de milhões de reais movimentados pela esposa do deputado, Stahel Fernanda, e por dois assessores dele, Meheidin Hussein Jenani e Rosa Alice Valente. O dinheiro teve como origem a corretora Bônus-Banval - apontada pela CPI dos Correios como o canal utilizado pelo publicitário mineiro Marcos Valério de Souza para repassar dinheiro ao PP, então liderado por Janene na Câmara -, a Taha e outras corretoras, que estão sendo investigadas pela PF. A maior parte do dinheiro veio do exterior e seria procedente do "valerioduto".A esposa e os assessores de Janene, o único dos acusados de se beneficiar do mensalão que ainda não foi julgado pelo Conselho de Ética por estar em licença médica desde setembro do ano passado, passaram a ser investigados em 2004 pela PF a pedido do Banco Central, que desconfiou da disparidade do volume movimentado e suas declarações de rendimentos. Meheidin, por exemplo, declarava um salário de R$ 1,8 mil e movimentou num único mês mais de R$ 300 mil. A PF disse ter "indícios" de que parte do dinheiro destinado pelo "valerioduto" a Janene tenha sido utilizado na aquisição de imóveis e outros bens que estão em nome de sua esposa. A mansão que está sendo construída em nome de Fernanda, de mil metros quadrados e avaliada em R$ 2 milhões, e uma dezena de propriedades agrícolas também em nome dela teriam sido pagas pelo esquema comandado por Valério. Notas fiscais relativas a compra de material de construção foram encontradas em poder de Rosa e um cheque assinado por ela, no mesmo dia em que a Bônus-Banval efetuou depósito em sua conta, foi utilizado como parte de pagamento de uma propriedade rural em Faxinal, norte do Paraná. O relacionamento entre Janene, Valério, o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, era intenso, comprovou a CPI dos Correios ao cruzar as ligações telefônicas entre eles. Eles trocaram 621 telefonemas em poucos meses. A CPI apurou que Janene recebeu R$ 4,1 milhões do "valerioduto", mas, segundo a PF, as contas dos assessores e da esposa dele movimentaram valores ainda maiores a partir de 2003.

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