PF e índios se unem para combater garimpo clandestino

Índios e policiais federais se uniram hoje, em Rondônia, para acabar definitivamente com o garimpo clandestino de diamantes dentro da Reserva Roosevelt, do grupo indígena Cinta-Larga. Cerca de 100 agentes e 150 guerreiros suruís, zorós e gaviões entraram na área e expulsaram em torno de 300 pessoas que estavam fazendo a extração do minério. Diversos veículos e tratores foram apreendidos, e a situação é tensa na região.O garimpo do Roosevelt é um dos maiores produtores de diamantes do País e começou a ser explorado na metade do ano passado, quando milhares de pessoas entraram na área indígena com aval de funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). A primeira incursão da PF no local aconteceu no final do ano passado, quando 80 pessoas foram presas, dezenas de maquinários apreendidos e abertos centenas de inquéritos.Na operação que começou esta semana, sem prazo para terminar, os policiais contaram com a ajuda de índios de outras tribos, que temem que a ação dos garimpeiros na área Cinta-Larga se espalhe por outras regiões. Na próxima semana, funcionários da Funai, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Militar e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) entram também na operação."Nós conseguimos uma coisa importante logo no primeiro dia da operação, que foi interditar uma balsa que fazia a travessia do Rio Roosevelt levando alimentos, burros e maquinários para os garimpeiros", anunciou o coordenador da operação, pela parte da Funai, Antenor Gonçalves Bastos Filho. "Além disso, carros e maquinários também já começaram a ser apreendidos pela PF." ProblemaTanto a Funai quanto a Polícia Federal sabem que a retirada dos garimpeiros da reserva pode ser uma coisa inócua se não houver uma atenção maior do governo. Enquanto são mobilizados até índios para ajudar na ação, outros índios, principalmente cinta-largas, mantém a relação próxima com os garimpeiros. "Muitos recebem até 10% da produção de cada área explorada", afirma um policial federal.Por isso, o clima na região é tenso desde o ano passado, quando os índios começaram a cobrar até R$ 10 mil pela entrada de maquinários. "Muitos índios têm máquinas próprias", afirma Francisco de Assis, um dos líderes dos garimpeiros do Roosevelt. Muitas vezes, por quebra de acordo entre índios e garimpeiros, o resultado é a morte. Segundo levantamento da PF, pelo menos cinco pessoas foram assassinados por esta razão. "Três deles são índios", informou o delegado Márcio Valério, que comanda a ação da PF na área.Hoje representantes do Ministério Público Federal, PF, Funai e Ibama se reuniram no Palácio do Planalto para discutir a retirada dos garimpeiros. O maior problema, que o governo ainda não tem solução, é dar alternativas aos índios quando acabar com a atividade garimpeira em suas terras.

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