PF é contra militarização proposta pelo governo

Os policiais federais estão se mobilizando nacionalmente contra a proposta do presidente Fernando Henrique Cardoso de criar uma polícia federal militarizada. "É uma proposta eleitoreira, inconstitucional e esdrúxula que não vai resolver a questão da segurança pública", afirmou hoje o presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Pernambuco, Roberto Fernandes.Ele observou que ao encampar esta idéia, o candidato do governo à presidência da República, José Serra (PSDB), não avaliou que a iniciativa representa um retrocesso, está na contramão da história e pode levar a conseqüências extremamente danosas.O sindicato realiza uma assembléia geral extraordinária nos próximos dias e poderá decretar greve, o que seria feito de forma simultânea em todo o País.Caso não obtenham êxito com a luta política, os policiais federais vão entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) visando a derrubar uma eventual medida provisória criando a Polícia Federal Preventiva uniformizada.O movimento está sendo coordenado pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) que encaminhou comunicado a todos os Estados pregando "luta e guerra total" contra a iniciativa. Na nota, a diretoria executiva da Fenapef chama de "energúmenos" e de "mentes tacanhas e atrasadas" os dirigentes do Departamento de Polícia Federal (DPF) que ajudaram a elaborar a proposta.Para Fernandes, a intenção dessa "meia dúzia de delegados" é criar uma massa de manobra para se perpetuar no poder. Ele lembrou que a classe não foi ouvida em relação à proposta e alertou: "Ao criar uma carreira de segunda categoria dentro da PF, com salário achatado e baixo nível cultural, em breve o governo se verá às voltas com reivindicações por isonomia salarial e movimentos paredistas com policiais armados com AR-15 e mascarados".Acrescentou que este pessoal teria um trabalho de alto risco - nas fronteiras, portos e aeroportos - com a metade do salário do policial federal, podendo ser criada uma estrutura viciosa e passível de corrupção. Para o combate ao crime organizado e tráfico de drogas, o sindicato prega a contratação de pelo menos o dobro do número de policiais federais - 7 mil em todo o Brasil.A ampliação seguiria a Constituição, que prevê uma carreira única para o policial federal com exigência do terceiro grau. "O que se quer é acabar com o nível superior da PF, conseguido depois de muita luta e após muitos anos", disse o dirigente sindical.Fernandes apontou o paradoxismo da medida, afirmando que a proposta de reforma da segurança pública que tramita no Congresso Nacional defende a unificação das polícias estaduais, a desmilitarização das polícias e a unificação da Polícia Federal com a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Ferroviária Federal. Estas duas últimas iriam funcionar como o braço ostensivo da Polícia Federal, na mesma função da polícia federal uniformizada que se pretende criar.

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