PF do Rio receberá reforço para combater crimes eleitorais

Medida é resposta ao tráfico e às milícias, que impedem entrada de candidatos e constrangem eleitores

Talita Figueiredo, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 Julho 2008 | 00h00

A Superintendência da Polícia Federal no Rio vai receber um reforço de homens na semana que vem para atuar no combate aos crimes eleitorais, principalmente envolvendo traficantes e milicianos que estariam constrangendo eleitores no Estado. A informação é do superintendente regional da PF , Valdinho Jacinto Caetano, que participou ontem de reunião com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, desembargador Roberto Wider, e integrantes da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Rio. Segundo Caetano, há diversas pessoas, entre cabos eleitorais e candidatos, sob investigação. O desembargador repetiu que, "neste momento", não é necessária a presença da Força Nacional de Segurança para garantir a integridade de candidatos e eleitores durante a campanha - como foi oferecida na segunda-feira pelo ministro da Justiça, Tarso Genro - porque não há "confrontos". Segundo ele, o Rio precisa de pessoas da área de inteligência que possam identificar os problemas e fazer um levantamento das áreas onde há imposição de candidatos e coação de eleitores. O TRE já recebeu mais de 20 denúncias de 7 áreas da cidade - 3 de atuação do tráfico e 4 das milícias. Wider informou já ter recebido do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, um relatório da atuação das milícias em favelas do Rio. Ele disse ainda que a polícia fluminense tem capacidade de garantir o policiamento do Estado durante as eleições. Presente ao encontro, o secretário não falou com a imprensa. Durante a reunião, ficou definida a criação de um grupo de trabalho - cujos membros ainda serão nomeados - que será responsável por municiar a Justiça Eleitoral de informações sobre os candidatos. "Não podemos permitir que (a situação) seja objetivo de especulação política, como alguns querem fazer", sugeriu o presidente do TRE. É a esse grupo que os candidatos com problemas para entrar em áreas de atuação de tráfico ou milícia terão de recorrer, caso seja analisada a necessidade real de proteção. Segundo o desembargador, é necessário que cada caso seja visto de forma única, para que não ocorra "pirotecnia" nem "política"."Que (esse pedido seja) uma coisa séria do candidato e não o candidato apenas querendo aparecer. Tem muito candidato. Estamos trabalhando para que o nosso Estado tenha uma situação de normalidade, dentro das anormalidades, que são comuns, da sociedade em que vivemos. Mas não vou deixar que isso vire apenas belas e magníficas notícias", disse. Wider reúne-se hoje com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Brito, em Brasília. A polêmica sobre a falta da segurança nas eleições fluminenses cresceu no sábado, quando fotógrafos dos jornais O Globo, Jornal do Brasil e O Dia foram obrigados por traficantes armados da Vila Cruzeiro a apagar as imagens registradas durante campanha do senador Marcelo Crivella (PRB), em que ele aparecia cumprimentando supostos traficantes. As fotos foram recuperadas por um software especial e publicadas pelos jornais. www.estadao.com.br Para a maioria dos internautas, a Força Nacional deve atuar no Rio para reforçar a segurança nas eleições municipais 75% sim 25% não

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