PF do Amapá diz que Eike Batista sabia da operação 2 dias antes

Na semana passada, PF cumpriu mandados na empresa e na casa do empresário para apurar suspeita de fraude

Alberto Komatsu, da Agência Estado,

15 de julho de 2008 | 17h20

O superintendente da Polícia Federal do Amapá, Anderson Fontel, afirmou nesta terça-feira, 15, que os advogados da MMX, do empresário Eike Batista, tiveram acesso aos autos da investigação da PF dois dias antes de ser deflagrada a Operação Toque de Midas, que na sexta-feira cumpriu 12 mandados de busca e apreensão no Amapá, no Rio e no Pará por causa de suspeitas de irregularidades na licitação da estrada de ferro do Amapá, vencida por uma empresa ligada à MMX.  Veja também:Eike nega irregularidades e diz que acusação é 'erro gigantesco'Eike Batista: o 3º homem mais rico do Brasil  Após seis horas, PF deixa empresa de Eike levando documentosMMX Amapá nega que tenha cometido irregularidades  As ações da Polícia Federal no governo LulaOGX e MMX despencam após busca na casa de Eike BatistaEike Batista é alvo da PF em ação contra fraude em licitação De acordo com Fontel, uma semana antes os advogados já sabiam da operação, pois tentaram acesso aos autos na Justiça Federal do Amapá, mas não conseguiram. A alternativa, segundo o superintendente da PF, foi um recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, que permitiu o acesso às informações, que, segundo Fontel, estavam correndo sob segredo de Justiça. "Se o investigado sabe da operação, ele vai se precaver de alguma forma", afirma.  Na última segunda, Eike afirmou que pretende apresentar uma notificação formal ao Ministério da Justiça a respeito das acusações divulgadas na última sexta-feira envolvendo a MMX. O empresário afirmou, durante a conferência, que teve acesso aos arquivos da Polícia Federal, o que possibilitou a conclusão de que as acusações apresentadas são infundadas. Eike também ressaltou que o seu nome não é citado em nenhum momento nos arquivos da Polícia Federal. O executivo não atacou o trabalho da PF e disse que as "pessoas cometem enganos". "E este é um erro gigantesco", acrescentou. Eike Batista é fundador e presidente da EBX, uma holding brasileira que atua nos ramos de mineração, logística, energia, petróleo e gás. O Grupo EBX abarca empresas como a mineradora MMX e a OGX, cujo ramo de atuação é a exploração e produção de petróleo e gás natural.  A ação fez parte da Operação Toque de Midas, na qual a PF investiga possíveis fraudes na licitação que deu à MMX a concessão da Estrada de Ferro do Amapá, usada para escoar minério da Serra do Navio ao Porto de Santana. Segundo a PF, a investigação é feita com base em denúncia de fraude no processo de concessão de uma jazida de minério no Estado. A estrada de ferro em questão liga os municípios de Serra do Navio e Santana e é responsável pelo transporte de minério do interior do Estado para o Porto de Santana, às margens do Rio Amazonas.  

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