PF diz ter achado explosivos e esquema de milícia em Roraima

Na última terça, líder dos arrozeiros envolvido no conflito que deixou dez índios feridos em reserva foi preso

Agência Brasil

07 de maio de 2008 | 12h41

O avião da Polícia Federal (PF) que levará o líder dos arrozeiros e prefeito de Pacaraima (RO),  Paulo César Quartiero, ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, já decolou de Roraima. A informação é do delegado Fernando Segóvia, coordenador-geral da operação da PF na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Na terça-feira, Quartiero foi preso, em flagrante, depois que agentes da PF encontraram artefatos explosivos dentro da sua propriedade, a Fazenda Depósito. O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, diz também ter identificado um esquema de milícia na região. "Ninguém pode montar uma milícia e substituir o estado. Se essa resistência ganha contornos de preparo de milícia de explosivos, estamos entrando em área perigosa e a Polícia Federal não vai permitir isso", disse à rádio CBN.   Veja também:   Tensão cresce e ministro da Justiça vai com PF para reserva PF envia reforço para apurar disparos contra índios na Raposa Fórum: na sua opinião, qual é a solução para o conflito   Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região  Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol 'Roraima é do Brasil graças aos índios', diz especialista     Na última segunda-feira, a fazenda foi palco de um confronto entre índios e trabalhadores de Quartiero. Na ocasião, dez índios foram baleados. Segundo o delegado, foram encontrados explosivos "rústicos de fabricação caseira", o que caracteriza crime e desrespeito ao Estatuto do Desarmamento. "Apenas o Exército pode autorizar o manuseio e a venda de artefatos explosivos. Além disso, eles teriam que ser fabricados por uma empresa credenciada", explicou Segóvia, acrescentando que não foram encontradas armas de fogo na fazenda.   "Elas devem estar escondidas em outro lugar. Vamos continuar as buscas", garantiu o delegado. Segóvia acredita que a chegada nesta quarta de mais 60 homens da Força Nacional de Segurança Pública e a retirada dos índios da Fazenda Depósito devem garantir que não ocorram novos conflitos na região. "Não tem ninguém na terra de ninguém. Com isso, minimizamos o risco de conflitos", afirmou.   Um pouco antes da prisão de Quartiero, o ministro da Justiça, Tarso Genro, visitou a área. Ele disse que a decisão do STF sobre a manutenção ou não da demarcação da terra deverá sair em 15 ou 30 dias. Tarso avisou o ministro Carlos Ayres Britto sobre sua ida a Roraima e com forte aparato de segurança, ele esteve no local onde os indígenas sofreram o atentado .   Tarso disse que veio para fazer a investigação e responsabilizar as pessoas que cometeram o "incidente grave". "Peço tranqüilidade aos indígenas e que não reajam a nenhuma provocação e aguardem decisão do STF", disse.   O ministério da Justiça é quem faz as demarcações de terra indígena e estamos estendendo através da força institucional que seja suspensa a proibição da retirada dos fazendeiros dentro da lei.

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