PF diz que não há relação de ministra com investigados e nega blindagem

Em entrevista ao 'Estado', Paulo Vieira acusou PF e MP de 'blindar' Izabella

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2012 | 19h25

SÃO PAULO - A Polícia Federal (PF) negou nesta segunda-feira, 17, que tenha protegido a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, nas investigações da Operação Porto Seguro - que apurou um esquema de corrupção de servidores de órgãos federais para a compra de pareceres técnicos. Em entrevista ao Estado, o homem apontado no inquérito policial como chefe da quadrilha, Paulo Vieira, disse que a ministra fez "pressão" para que fosse aprovado um projeto de interesse do grupo, e acusou a PF e o Ministério Público Federal de "blindar" Izabella.

Em nota, a PF informou que "não foi verificada qualquer relação da ministra com os crimes investigados na aludida operação, nem mesmo de forma tangencial".

"Em nenhum momento da investigação, a Ministra de Estado do Meio Ambiente, Izabella Mônica Vieira Teixeira, foi citada pelos demais investigados da Operação Porto Seguro", escreveu a assessoria de comunicação da Polícia Federal.

Segundo Paulo Vieira, a ministra teria pressionado o procurador-geral da Advocacia-Geral da União (AGU) Marcelo Siqueira a emitir um parecer que autorizava a construção de um porto particular na Ilha de Bagres, em Santos (SP). O projeto era de interesse do ex-senador Gilberto Miranda, denunciado por corrupção ativa após a operação.

Ao concluir o inquérito da Porto Seguro, a PF produziu um relatório que lista os nomes de 18 autoridades, entre ministros e governantes eleitos, citados pelos alvos da investigação. Não há menção a Izabella Teixeira no documento. A ministra do Meio Ambiente disse ontem que não beneficiou o projeto da Ilha de Bagres e que todas as suas manifestações à AGU são feitas "formalmente".

A nota da PF também afirma que os investigadores atuam "em estrita conformidade com as leis brasileiras, o que afasta de forma peremptória qualquer ação de perseguição ou proteção a autoridades públicas ou cidadãos brasileiros".

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