PF diz que não há dados sobre suposta Farb

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Agílio Monteiro Filho, afirmou nesta terça-feira que "não existe nenhum dado que comprove a real atuação" da Frente de Ação Revolucionária Brasileira (Farb). Segundo Monteiro Filho, nenhum órgão de inteligência do governo "encontrou até agora qualquer indicativo" da existência da organização clandestina que, por e-mails e cartas, assumiu a autoria das ameaças a prefeitos do PT.Indagado se a Farb pode não passar de uma "entidade virtual ", ele limitou-se a responder: "Tudo é possível." Monteiro Filho reuniu-se com o grupo de delegados federais destacados para investigar a Farb e o seqüestro e assassinato de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP). A PF apura possíveis "implicações políticas" no caso. A reunião ocorreu na sede da Superintendência Regional da PF em São Paulo, dirigida pelo delegado Ariovaldo Peixoto."Vim inteirar-me das investigações", disse o diretor-geral da PF, que, aparentemente, retornou a Brasília sem informações sobre pistas concretas dos assassinos de Daniel. Os policiais federais trabalham com a hipótese de que o crime pode ter sido praticado por motivos de "ordem administrativa" - questões internas da prefeitura. Essa linha entra em choque com a investigação da Polícia Civil, que acredita em "crime comum" praticado por seqüestradores da periferia.Nesta segunda-feira, o delegado Hermes Rubens Siviero Júnior, que preside o inquérito federal, pediu à Justiça Federal o rastreamento bancário do ex-prefeito de Santo André. O juiz Casem Mazloum autorizou um levantamento sobre eventuais saques realizados em contas de Daniel após o seqüestro, ocorrido dia 18.Monteiro Filho disse que a segurança pessoal dos prefeitos petistas ameaçados não é tarefa da corporação. "A PF cuida da proteção de autoridades federais."O prefeito de Catanduva (380 quilômetros da capital paulista), Félix Sahão Júnior (PT), conta desde esta terça-feira com um forte esquema de segurança da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal. Sahão Júnior é o terceiro nome de uma relação de cinco prefeitos do partido que estariam marcados para morrer.Os dois primeiros nomes da lista são Antônio da Costa Santos (ex-prefeito de Campinas, no interior do Estado, executado na noite de 10 de setembro) e Daniel.A lista manuscrita foi encontrada dentro de um maço de cigarros importado da Indonésia. O maço estava num terreno baldio na região central de Catanduva e foi apreendido pela Delegacia Seccional da cidade. Sahão Júnior depôs à PF e relatou o atentado sofrido em novembro - quatro tiros na casa onde morou - e os detalhes de cartas que recebeu, a última delas dia 29.Para o prefeito, o objetivo dos autores das ameaças "é desestabilizar o partido" e desestruturar prefeituras administradas pelo PT - o partido conquistou 37 prefeituras nas últimas eleições.Preocupado em evitar a "estagnação" dos trabalhos, Sahão Júnior tem respondido às freqüentes manifestações de solidariedade com um pedido: "Façam suas orações e mantenham o pensamento positivo, mas trabalhem mais, não diminuam o ritmo."

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