PF diz que fiscais do Rio lavavam dinheiro com imóveis

Um esquema de lavagem de dinheiro por meio de empreendimentos imobiliários e grandes empresas, com a participação de empresários e auditores acusados de ter contas ilegais na Suíça, foi apontado pelo delegado Marcos David Salem no relatório final do inquérito sobre o caso enviado à Justiça. A Polícia Federal julga ter indícios de que empresas, reais e de fachada, podem ter limpado dinheiro de origem não-comprovada de alguns suspeitos de ter US$ 33,4 milhões no exterior. Um dos empresários é Ayrton Baeta, sócio de oito empresas. Indiciado por participação em lavagem, ele não foi achado para falar do caso.Por intermédio da quebra de sigilo bancário, os policiais federais descobriram que Baeta dividia uma conta bancária no HSBC com o auditor federal Hélio Lucena - um dos acusados de ter depósitos ilegais no Discount Bank and Trust Company de Zurique. Há outros 11 funcionários acusados, entre auditores federais e fiscais estaduais. A Polícia constatou que Baeta, em sociedade com outros dois acusados, Heraldo da Silva Braga e Axel Ripoll Hamer, participou da construção de um empreendimento no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste. A PF descobriu ainda que um parente de Braga, sem renda para tal, era sócio de Baeta na Monte Imperial Emprendimentos Imobiliários.Em seu depoimento, Baeta negou conhecer Lucena. Quando os policiais lhe mostraram a conta conjunta no HSBC, ele contou que, na ocasião da constituição do Edifício Ramsés II, em 1998, foi eleito síndico e teve que abrir a conta com outro condômino, para pagar despesas. O relatório também aponta indícios de participação na lavagem de empresas de grande porte - algumas foram fiscalizadas pelo auditores acusados.Na próxima semana, o Ministério Público Federal deverá oferecer denúncia contra os acusados - são 33 os indiciados. Mas, diante da grande quantidade de informações novas, Salem pediu no relatório final a abertura de dois novos inquéritos para investigar a lavagem de dinheiro: um para Baeta, outro para Guimarães e outras pessoas.Veja o índice de notícias sobre a corrupção no Rio

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