PF deverá reduzir atividades por falta de verba

A Polícia Federal poderá reduzirsuas atividades nas próximas semanas, por falta de recursos. Apenasoperações essenciais, como o combate ao narcotráfico e a apuração das fraudes daextinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) serão priorizadas. Até agora, devidoos cortes no orçamento geral da União, a PF não recebeu verba referente a2002 e ainda deve a fornecedores, pelo menos R$ 14 milhões, desde o ano passado.O problema, que foi causado pela interrupção na cobrança do ContribuiçãoProvisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), e que já atingiu parte das ForçasArmadas, poderá causar um caos na Polícia Federal, principalmente por ser anoeleitoral. Além de ter que garantir a tranqüilidade do pleito em vários Estados, a PF vaicolocar grupos de agentes especiais para dar segurança aos candidatos. ?Jásuspendemos várias atividades que não eram consideradas essenciais, mas se nãohouver liberação de recursos, podemos suspender outras operações previstas ou emcurso?, afirma um delegado da cúpula da PF.Desde o início do ano, a PF está trabalhando exclusivamente com o Fundo Nacional dePolícia (Funapol), que movimenta recursos provenientes das taxas de emissão depassaportes, portes de arma e empresas de segurança privada. Mesmo assim, odinheiro está servindo apenas para manutenção da estrutura da instituição. ?Corremos orisco de termos problemas como no ano passado?, afirma a fonte da PF, referindo-se aofato de os telefones de várias superintendências estaduais terem sido cortados por faltade pagamento.Outra área atingida diretamente foi o Programa Federal de Proteção à Testemunha,coordenado pela PF. Para dar segurança durante 24 horas para 12 pessoas que estãoem situação de risco, a instituição deveria receber pelo menos R$ 1,7 milhão, mas oMinistério da Justiça conseguiu repassar R$ 200 mil e não há previsão de novasliberações. ?Temos que manter, sem ter como, entre 15 a 20 agentes neste trabalhodiuturnamente?, observa o delegado.Crime OrganizadoUm dos setores mais afetados pela redução dos recursos na Polícia Federalé a Divisão de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie), umadas áreas que mais atuou no ano passado. Responsável por vários casos derepercussão, como a busca e apreensão na Lunus, o escritório da ex-governadora doMaranhão, Roseana Sarney, e pela investigação do ex-presidente do Senado, JaderBarbalho, além da apuração das fraudes na Sudam, a Decoie poderá, inclusive, sofreruma reestruturação, inclusive relacionada a pessoal. O Estado tentou contato com adireção da PF para avaliar a situação da divisão, há duas semanas, mas não obteveretorno.

Agencia Estado,

03 de junho de 2002 | 17h13

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