PF deve prorrogar prazo de inquérito sobre dossiê

O inquérito que investiga a operação de compra do dossiê contra políticos do PSDB deverá ser prorrogado por mais 30 dias. O prazo para conclusão dos trabalhos acaba no próximo dia 26, mas na avaliação do procurador da República, Mário Lúcio de Avelar, responsável no Ministério Público pelo acompanhamento das investigações avaliam que a PF deverá precisar de mais tempo na empreitada de descobrir a origem do dinheiro para compra do dossiê.O delegado Diógenes Curado Filho, que preside do inquérito admitiu que não tem elementos suficientes para iniciar o indiciamento dos envolvidos e há risco de prorrogação. "Se até lá não conseguirmos reunir os elementos, terei que pedir mais prazo", disse nesta terça-feira, 14, Curado. O pedido terá que ser apresentado pela PF ao juiz da 2ª. Vara Federal de Mato Grosso, Jefferson Schneider.Se for confirmada, será a segunda ampliação no prazo das investigações. Há 59 dias a PF rastreia o caso do dossiê e tenta, sem sucesso, descobrir a origem do dinheiro apreendido nas mãos de petistas. O inquérito 623/06 foi aberto dia 18, três dias depois que foram presos em São Paulo Gedimar Passos e Valdebran Padilha, com o R$ 1,75 milhão destinados à compra do material. Segundo Avelar, a PF deve se concentrar no exame da quebra dos sigilos telefônicos. "É um bom caminho", disse ele, negando-se a fornecer mais detalhes.Dados cruzados A PF vem cruzando os números telefônicos dos envolvidos com a localização geográfica dos sinais dos celulares no momento das chamadas com o objetivo de identificar onde estava cada personagem. Foi com essa técnica, por exemplo, que se concluiu que o celular em nome de Ana Paula Cardoso Vieira estava, na verdade, nas mãos de Hamilton Lacerda, ex-assessor da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e apontado como "o homem da mala".A PF percebeu que o celular de Ana Paula se conectava com todos os demais, menos com o de Lacerda e, ao examinar os sinais, identificou que ambos estavam sempre nas mesma área.Curado também já recebeu os resultados da quebra do sigilo bancário do ex-segurança do presidente Lula, Freud Godoy, mas não quis adiantar sua avaliação sobre os dados. Embora não declare, o delegado trabalha com a hipótese de que o dinheiro saiu do caixa-dois do partido e, por isso, quer ouvir os tesoureiros de campanha do presidente Lula e de Mercadante, respectivamente José de Filippi Júnior e José Giácomo Baccarin.

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