PF desarticula quadrilha de superprecatório

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (31) a Operação Pretório para desarticular organização criminosa envolvida com o maior precatório do País, no valor de R$ 3 bilhões, expedido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 14.ª Região (TRT14), em Rondônia. Cerca de 200 policiais federais cumpriram 64 mandados de busca e apreensão em Porto Velho, no Distrito Federal e nos Estados do Mato Grosso, Amazonas, São Paulo e Paraíba.

FAUSTO MACEDO E FELIPE RECONDO, Agência Estado

01 de novembro de 2012 | 10h18

Os federais vasculharam salas do próprio TRT14, empresas, escritórios de contabilidade, residências de magistrados e de servidores e a sede da Ordem dos Advogados do Brasil em Porto Velho. O escritório do advogado Hélio Vieira, presidente da OAB de Rondônia, foi alvo de buscas.

O superprecatório foi suspenso em junho pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na ocasião foram afastados de suas funções o corregedor do TRT14, Vulmar de Araújo Coelho Júnior, e o juiz que presidia o processo do precatório bilionário, Domingos Sávio Gomes dos Santos.

Alertada pela Justiça do Trabalho, a PF descobriu que pelo menos R$ 5 milhões do precatório gigante foram sacados por um grupo supostamente liderado pela advogada Eliziane Lisieux Ferreira e por seu marido, José Ernandes Veloso Martins. O casal foi preso. Segundo a PF, eles usavam nomes falsos de beneficiários para levantar quantias.

Sindicato

A investigação revela que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Rondônia recebeu parte do precatório que deveria ter sido repassado aos servidores. O precatório data de 1989 e corresponde a uma dívida do extinto território de Rondônia com servidores.

De acordo com o CNJ, R$ 358 milhões já teriam sido liberados, mas nenhum profissional do ensino recebeu. Há suspeitas de que parlamentares estariam envolvidos no esquema. Todos os valores contidos no precatório, tanto os já pagos quanto os que ainda não foram liberados, estão sob inspeção, uma vez que constituem cifras bilionárias pela incidência de juros e correção e, principalmente, multas exorbitantes que inflacionaram os cálculos.

O corregedor afastado, Vulmar Coelho, não retornou contato da reportagem. O juiz Domingos Sávio não foi localizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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