Polícia Federal faz buscas em agência ligada ao PT e ao governador de MG

Policiais apreenderam computador e mochila na sede da Pepper

O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2015 | 07h53

BRASÍLIA (atualizado às 12h58) - A Polícia Federal apreendeu na sede da agência de publicidade Pepper, em Brasília, um computador e mochilas com materiais apreendidos. A Pepper é alvo da segunda fase da Operação Acrônimo, deflagrada nesta quinta-feira. A PF também fez busca e apreensão num hangar em Belo Horizonte e num escritório que era usado pelo governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

A Pepper é uma empresa contratada pelo PT para cuidar da página do Facebook da presidente Dilma Rousseff. Carolina Oliveira, mulher do governador e um dos alvos da Operação, trabalhou na agência de publicidade.

Os policiais chegaram à sede da agência no início da manhã desta quinta-feira, 25, e a busca prossegue. A ação foi autorizada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, relator da Operação Acrônimo no Tribunal. O magistrado tornou-se relator do caso no Tribunal na semana passada, quando recebeu um pedido de inquérito encaminhado pela Polícia Federal para investigar a suposta participação de Fernando Pimentel no escândalo.

Além das ações na Pepper, ações de busca e apreensão estão sendo realizadas também em outros pontos, incluindo unidades no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, além do Distrito Federal. Um outro alvo de busca é um hangar no aeroporto de Belo Horizonte. Segundo fontes, o ponto teria sido usado pelo governador de Minas e por sua mulher para a viagem de lua de mel, para Punta del Este, no Uruguai. Um dos endereços em que a PF realizou busca e apreensão é a sede da empresa OPR, de Otílio Prado, ex-sócio de Pimentel na P-21 Consultoria, empresa que antecedeu a OPR e foi criada pelo governador após 2008, quando ele deixou a prefeitura de Belo Horizonte.

Agentes da Polícia Federal deixaram o prédio em que funcionou um escritório do governador Fernando Pimentel (PT) na campanha ao Palácio Tiradentes, no ano passado, com um malote e um computador. 

O prédio fica à Rua do Ouro, 1488, bairro Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A residência de Pimentel fica do outro lado da rua, a menos de 50 metros do prédio onde estavam os agentes. O Superior Tribunal de Justiça negou autorização para que fossem realizadas buscas na residência e no gabinete do governador. 

Assessores de Pimentel que estavam no local informaram que Pimentel se pronunciará por nota durante a tarde.

Operação 

A Operação Acrônimo foi deflagrada no fim de maio, quando foram realizadas buscas na casa da primeira-dama de Minas e na sede de uma antiga empresa que pertencia a ela. Na semana passada, contudo, o caso chegou ao STJ diante de investigações que passaram a envolver a suposta participação do governador de Minas no caso. 

A apuração teve início em outubro de 2014, quando a PF apreendeu um avião que voava de Minas Gerais a Brasília com R$ 113 mil a bordo. Estava na aeronave o empresário Benedito Rodrigues, o Bené, que é próximo a Pimentel e possui empresas do setor gráfico. Bené chegou a ser preso na primeira fase da Operação, mas deixou a cadeia após pagar fiança. 

O advogado de Pimentel, Antônio de Almeida Castro, o Kakay, disse ao Estadão que esteve na semana passada com o ministro e pediu acesso ao inquérito. Ele disse que se colocou o governador à disposição para esclarecer dúvidas. A PF suspeita de atos ilícitos envolvendo a campanha de Pimentel ao governo do Estado, em 2014.

"As investigações têm de ser feitas e qualquer cidadão apoia, mas parece que está havendo competição de qual investigação é mais importante. Há que se ter uma responsabilidade quando se pede busca e apreensão na cada de um governador como o Pimentel. Felizmente o ministro negou o pedido e não vejo nenhum fundamento para medida tão agressiva e invasiva", disse o advogado à reportagem. (Talita Fernandes, Andreza Matais e Fábio Fabrini, com Leonardo Augusto, especial para AE)

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