Paulo Lisboa/Brazil Photo Press
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PF deflagra 10ª fase da Lava Jato e Renato Duque é preso

Ex-diretor de Serviços da Petrobrás, indicado ao cargo pelo PT, é considerado o elo do partido com o esquema de desvios na estatal

Andreza Matais, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

16 Março 2015 | 07h26

Atualizado às 15h26

A Polícia Federal prendeu na manhã desta segunda-feira, 16, o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobrás Renato Duque, em sua casa, no Rio. A prisão faz parte da décima fase da Operação Lava Jato, que investiga desvios na estatal.

É a segunda vez que Duque é preso, agora em caráter preventivo. Ele será encaminhado ainda nesta segunda para a sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde estão outros presos da Lava Jato. Nesta manhã, policiais fazem buscas em sua residência. Para os investigadores, ele é o elo do PT com o esquema de desvios na petroleira. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), teriam sido captados na gestão de Duque cerca de R$ 650 milhões em propinas sobre contratos fechados de 2004 a 2012 com as seis empreiteiras que teriam integrado cartel para assumir negócios bilionários na estatal.

Batizada de "Que país é esse", a décima fase da Lava Jato vai cumprir dois mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e 12 de busca e apreensão. O nome da etapa faz referência a uma frase dita por Duque ao ser preso pela primeira vez, em novembro do passado.

De acordo com a PF, Duque foi flagrado tentando ocultar patrimônio não declarado mantido na Suíça. Uma das operações envolveu a transferência de 20 milhões de euros para uma conta no Principado de Mônaco. A Polícia Federal já afirmava que, mesmo após deflagrada a Lava Jato, em março do ano passado, o ex-diretor transferiu dinheiro da Suíça para Estados Unidos e Hong Kong.

A defesa de Duque classificou como "indevida" a prisão e vai apresentar pedido de liberdade. "Ele (Duque) é objeto de uma ordem do Supremo Tribunal Federal de liberdade. Para que se possa decretar uma nova prisão, você tem que ter um novo fundamento concreto e indicado pelo magistrado", argumentou o advogado Alexandre Lopes.

Outro alvo desta fase é o doleiro Adir Assad, considerado um dos maiores do País, e já investigado em outras operações da PF.  Ele foi preso ainda, em caráter termporário, Lucélio Góes, filho de Mário Frederico de Mendonça Góes - acusado de ser um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços e carregador de malas de dinheiro para o ex-diretor. Mário Góes foi preso pela Lava Jato e na última sexta-feira, foi indiciado por corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Os mandados serão cumpridos no Rio e em São Paulo. Os demais presos são apontados como laranjas do esquema. De acordo com informações da PF, os alvos desta etapa são investigados por seis crimes: associação criminosa, uso de documento falso, corrupção passiva e corrupção ativa, além de fraude em processo licitatório e lavagem de dinheiro.

Dirigentes da Petrobrás. Além de Duque, outros dois ex-diretores e um ex-gerente da Petrobrás são investigados por suspeitas de envolvimento com o esquema. São eles Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Nestor Cerveró (Internacional) e Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços e braço-direito de Duque na estatal. Costa e Cerveró estão presos. Barusco fez acordo de delação premiada e, para se livrar da prisão, aceitou devolver o equivalente a R$ 303 milhões que ganhou de propinas.

A Lava Jato, deflagrada há um ano, já resultou em 19 ações penais e 5 cíveis contra executivos, doleiros, empreiteiros e ex-dirigentes da Petrobrás por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, 11 empreiteiros estão presos e 50 pessoas, entre elas 35 parlamentares, são investigadas no Supremo Tribunal Federal.

A partir da investigação, procuradores da República e delegados da PF afirmam que a Petrobrás era o alvo de um cartel formado por algumas das maiores empreiteiras do País que se infiltraram nas áreas estratégicas da estatal. Elas dividiam contratos da Petrobrás e superfaturavam obras. Parte do valor excedente era usado para o pagamento de propinas a dirigentes da companhia e agentes políticos responsáveis por suas indicações. À Lava Jato, delatores afirmaram que políticos do PP, PT, PMDB e de mais quatro partidos foram beneficiários do esquema./ Colaborou Lilian Venturini

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