PF dará proteção a irmão de modelo assassinada em MG

O Ministério Público de Minas Gerais já acredita queum grupo de pessoas influentes esteja tentando dificultar os trabalhos de investigação dos promotores no caso da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, 24 anos, encontrada morta, em agosto de 2000, no San Francisco Flat Service, na Zona Sul de Belo Horizonte. Esta suposta conspiração estaria por trás de novas ameaças feitas à família da modelo, desta vez, para a principal testemunha do caso, Cláudio Antônio Ferreira, irmão de Cristiana, que será incluído em um dos programas federais ou estaduais de proteção a testemunhas.De acordo com o promotor Luís Carlos Martins Costa, desde que depôs ao Ministério Público sobre o caso da irmã, Cláudio Antônio passou a receber telefonemas anônimos e constatar a presença de pessoas estranhas, rondando a sua a casa. "Ele disse que tem recebido telefonemas estranhos e visto pessoas rondando a casa. Diante dos fatos, achamos que os temores da família são fundados e por isso iremos solicitar a inclusão de Cláudio Antônio em um Programa de Proteção a Testemunhas", informa o promotor. Em seu depoimento, no dia 20 de dezembro de 2000, Cláudio Antônio revelou o envolvimento da modelo com personagens do alto escalão da política e do empresariado mineiros. Entre eles, o deputado federal Walfrido dos Mares Guia (PTB), confirmado como futuro ministro do Turismo, o atual vice-governador, Newton Cardoso (PMDB), o atual secretário de Governo, Henrique Hargreaves, e o presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Djalma Bastos de Morais. Também está sendo investigada pelo MP mineiro a mulher de Walfrido, a empresária Sheila Mares Guia.O Ministério Público vai enviar carta precatória, ainda esta semana, à Procuradoria Geral da República, para que Walfrido deponha nas investigações sobre a morte da modelo. Como tem foro privilegiado, o deputado só pode ser ouvido pelo procurador-geral da República. Newton e Hargreaves também têm foro privilegiado, mas com o fim do atual governo, perdem o privilégio, sendo obrigados a comparecer ao Fórum Lafayette para prestar depoimento, assim como a empresária Sheila Mares Guia. O presidente da Cemig, já prestou dois depoimentos no caso.Apesar de seus nomes constarem em depoimentos e na agenda telefônica de Cristiana, nenhum dos convocados foram investigados ainda pelo Ministério Público. Segundo Luís Carlos Martins Costa, o Ministério Público quer apenas esclarecer qual o tipo de envolvimento que havia entre os políticos e a modelo, que tinha trânsito livre em certos gabinetes do primeiro escalão do governo. "Todos os convocados serão ouvidos apenas como testemunhas. Queremos saber qual o tipo de ligação deles com Cristiana, sem é claro, deixarmos de obedecer as prerrogativas", ressalta o promotor.PistasAlém dos políticos citados nos depoimentos e na agenda telefônica da modelo, o Ministério Público deverá convocar novamente osfuncionários do flat, onde Cristiana foi encontrada. Conforme Costa, a direção e os funcionários do hotel podem fazer parte da redeinteressada em não esclarecer os fatos, sonegando e adulterandodocumentos. "Acreditamos que o flat esteja escondendo informações e vamos fazer a reinquisição do hotel", diz o promotor. O hotel não informou o endereço de dois ex-funcionários aospromotores, incluindo o garçom que serviu o almoço do dia 4 de agosto, data citada como a da morte de Cristiana. O laudo final da Polícia Civil, na época, apontou como causa da morte da modelo, suicídio por ingestão de veneno para ratos. Porém, um testemunho do irmão de Cristiana, substituído no inquérito da Polícia Civil por um outro depoimento, que não citava o nome dos políticos, e um novo laudo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMF), apontando que a modelo foi agredida antes de morrer e que seu corpo apresentava sinais de sufocamento, motivou a reabertura do inquérito pelo Ministério Público.Na próxima sexta-feira, o Ministério Público vai ouvir os depoimentos do ex-policial civil e detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, ex-namorado de Cristiana, e do soldado Estêvão, do 1º Batalhão da Polícia Militar, que esteve no flat quando o corpo da modelo foi encontrado.

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